Bolsas apontam oito setores preparados para o 'novo normal'; vejam quais

Investidores priorizam companhias posicionadas para enfrentar ou liderar transformações impostas pela Covid-19

São Paulo

Apesar de a pandemia da Covid-19 derrubar a economia, alguns setores são beneficiados com as mudanças impostas pelo surgimento de uma nova doença e seus diferentes reflexos sobre a produção e o consumo.

Companhias melhor posicionadas para acompanhar o chamado ‘novo normal’ ou mesmo liderar transformações neste momento têm atraído investidores. Nas Bolsas, o valor de mercado delas tem registrado sucessivas altas.

“Para alguns negócios, a pandemia acabou sendo boa, como o ecommerce. O que as empresas de varejo online esperavam para o final de 2022, já aconteceu entre abril e maio deste ano”, diz Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos.

Confira os setores eleitos.

Gabriel Cabral/Folhapress

1. Saúde

As campeãs em valorização são empresas de saúde. Destacam-se as relacionadas à produção da vacina com potencial para combater a Covid-19, ou que produzem respiradores.

Nos EUA, a Vaxart, empresa de biotecnologia que desenvolve vacinas desde 1969, se valorizou mais de 2.000%. Suas ações, que valiam US$ 0,33 em janeiro, agora são vendidas a US$ 7,37.

A Novavax e a Inovio, que testam vacinas em humanos, têm trajetória semelhante, com valorizações de 1.950% e 550%, respectivamente.

“O grosso de valorização com a vacina já foi, mas os papéis devem continuar com desempenho positivo”, diz Luis Sales, analista da Guide.

No índice acionário S&P 500, que reúne as maiores empresas dos EUA, a farmacêutica Regeneron tem uma expressiva valorização de 66% no ano ao testar tratamentos no combate à Covid-19. A Abiomed, por sua vez, se beneficiou da aprovação emergencial pela FDA (agência que regula medicamentos nos EUA) de seu dispositivo Impella RP em pacientes que apresentam falência cardíaca pela Covid-19.

A West Pharmaceutical, fabricante de recipientes e aplicadores para vacinas, vai na mesma linha. A empresa de saúde que mais se valoriza no índice S&P 500 está relacionada ao tratamento da diabetes, uma das doenças que mais mata no mundo e coloca seus portadores no grupo de risco da Covid-19. A Dexcom vende aparelhos que medem o nível de glicose 24h por dia, com alertas para relógios e smartphones.

Ligada aos cuidados com o vírus, a Clorox viu as vendas de seus produtos à base de cloro dispararem. O hipoclorito de sódio é capaz de inativar o vírus.

No Brasil, a Weg é uma das maiores altas do Ibovespa, principal índice acionário do país. Além de ser uma companhia com resultados consistentes —característica ainda mais valorizada no momento—, a empresa que faz motores passou a fabricar ventiladores pulmonares.

A outra brasileira ligada à saúde que se valoriza é a RaiaDrogasil. “O investimento nela funciona com uma proteção, pois ninguém deixa de ir na farmácia na pandemia”, diz Luis Sales, analista da Guide.

2. Ecommerce

O fechamento de lojas físicas e distanciamento social fizeram o ecommerce explodir. A Amazon, líder no segmento, atingiu valor de mercado recorde na última quinta-feira (2), a US$ 1,44 trilhão.

No Brasil, as empresas do setor estão na ponta do Ibovespa. A maior valorização é da B2W, que opera Submarino, Shoptime e Americanas.com, que tem uma vantagem sobre a concorrência.

“A B2W é puro comércio eletrônico, sem lojas físicas, então pegou o benefício total da pandemia. Já Magalu e Via Varejo têm custos com lojas físicas fechadas”, diz Cavalheiro.

Com maiores fatias no comércio eletrônico brasileiro, B2W e Magazine Luiza, chegaram ao valor de mercado recorde de R$ 58,6 bilhões e R$ 117,5 bilhões, respectivamente, na última quarta (1º).

“Por mais que economia não esteja crescendo, essas empresas ganham mercado, com a mudança de comportamento que deve seguir pelos próximos anos”, diz Sales.

A Klabin, de papel e celulose, também se beneficiou pelo aumento nas entregas, já que produz embalagens.

3. Tecnologia

Mesmo antes da pandemia, empresas de tecnologia se sobressaíam nas Bolsas como as que mais crescem no mundo.

“O mercado é um reflexo da expectativa de resultado das empresas e companhias com vertente tecnológica e de inovação se destacam porque vão correr na frente”, diz Gustavo Almeida, analistas de ações da Spiti.

Com a pandemia, investidores dobraram a aposta no setor. A Bolsa de tecnologia Nasdaq vem de uma sequência de recordes históricos nas última semanas e alta de 14% no ano.

Já a empresa de computação em nuvem Servicenow oferece plataformas para empresas se adaptarem ao home office e digitalizarem processos.

O trabalho de casa também beneficiou a operadora T-Mobile, que fornece serviços de internet e telefonia.

No Brasil, a empresa de software Totvs, que desenvolve sistemas personalizados, é o destaque. “Ela é a maior empresa de tecnologia do país. Deve ser pouco afetada pela crise”, diz Cavalheiro.

4. Entretenimento

O isolamento elevou a busca por entretenimento em casa. Entre as beneficiadas estão empresas de serviços de streaming, as americanas, Netflix e Amazon, bem como as de jogos, como a chinesa Tencent, a japonesa Nintendo, além da americana Electronic Arts.

A Nvidia, empresa americana de processadores gráficos e inteligência artificial, também se beneficia por estar atrelada ao mercado de videogames.

5. Ouro

Mineradoras de ouro estão entre as maiores altas. O movimento acompanha a valorização de mais de 50% do metal neste ano, com a busca de investidores por ativos de segurança em tempos de incerteza econômica. A americana Newmont, maior empresa de mineração de ouro do mundo, sobe quase 40%.

6. Alimentação

Nos EUA, algumas empresas de fast-food estão entre os destaques do ano: a rede de pizza Domino’s e a de comida mexicana Chipotle, geralmente consumidas por delivery ou drive-thru.

No Brasil, não pela Covid-19, mas pela gripe suína na China, que aniquilou grande parte dos rebanhos, os frigoríficos brasileiros voltados à carne bovina tiveram um salto na receita. Marfrig e Minerva ainda foram beneficiadas pela valorização do dólar.

7. Logística

A redução de voos e de prazo nas entregas do ecommerce beneficiaram o transporte rodoviário e ferroviário. É o caso da Cosan, dona da Rumo, a maior operadora de ferrovias do Brasil. A empresa também oferece serviços de armazenagem, mais procurados em períodos de baixa demanda.

Nos EUA, a Old Dominion Freight Line é o destaque, com frota de caminhões e armazéns.

8. Serviços financeiros

Além da alta nas transações eletrônicas, que beneficiam empresas como Paypal, a crise elevou a movimentação no mercado de capitais. A B3 —que opera a Bolsa de Valores de São Paulo— registra recorde de transações e, consequentemente, de faturamento.

Já o BTG Pactual tem se beneficiado com ofertas de valores mobiliários. Empresas emitem ações e dívidas para fortalecer o caixa n a crise, e o BTG é um dos principais coordenadores dessas ofertas.​

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