Embraer propõe PDV a funcionários em licença remunerada

Plano ainda está em negociação com sindicatos, que consideram proposta insuficiente

São Paulo

A Embraer anunciou nesta quinta-feira (2) que propôs a sindicatos um PDV (Plano de Demissão Voluntária) voltado a funcionários da empresa que estão em férias coletivas e que iniciariam um período de licença remunerada.

A empresa afirma que a maioria dos seus 16 mil funcionários está trabalhando, e não seria elegível plano. No entanto, não diz quantos funcionários podem aderir à proposta. O PDV destina-se a trabalhadores das áreas de produção e engenharia e ainda está em discussão com sindicatos das categorias.

A empresa perdeu receita em meio à pandemia do novo coronavírus, que atingiu com força o setor aéreo no mundo todo. A proposta do PDV ocorre após a derrocada do acordo para a venda da área de aviação comercial da Embraer para a Boeing.

A proposta em negociação prevê que a demissão dos funcionários seja feita em 20 de julho. A Embraer oferece estender o plano de saúde aos funcionários que aderirem e a seus dependentes por seis meses, além do pagamento de auxílio-alimentação de R$ 450, também por seis meses.

O documento apresentado pela Embraer ainda prevê o pagamento de uma indenização equivalente a 10% do salário do trabalhador por ano de empresa. O piso dessa compensação seria de um mês de salário para quem recebe até R$ 9 mil atualmente. Acima desse patamar de salários, o valor mínimo a ser pago seria de R$ 9 mil.

Quem aderisse ao plano também receberia a indenização já prevista na MP 936 e em acordo coletivo para demissões sem justa causa. O documento foi assinado pela Embraer em abril e permitiu a suspensão de contratos de trabalho de parte dos funcionários por 60 dias e a redução de salários em 25% por 90 dias a quem permaneceu no trabalho.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos criticou a falta de transparência da empresa e o valor das indenizações previstas pelo PDV. A cidade concentra cerca de 13 mil dos 16 mil, funcionários da Embraer no Brasil.

"O sindicato foi pego de surpresa. Hoje a Embraer veio com a proposta do PDV, mas não dá para chamar isso de PDV. A empresa oferece uma indenização irrisória perto de planos anteriores, e não diz quantos quer demitir", afirmou Herbert Claros, diretor do sindicato, em vídeoconferência.

"Apesar da crise, a Embraer tem em caixa hoje dinheiro suficiente para ficar dois anos parada. Queremos que a indústria produza, mas a empresa não precisa atacar o emprego do trabalhador para fazer economia para acionista", disse em videoconferência da entidade.

Segundo Claros, o sindicato vai apresentar uma contraproposta à companhia nesta sexta-feira (3).

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