Descrição de chapéu The New York Times

Facebook não consegue acalmar organizadores de boicote publicitário

Organizações afirmaram que executivos da rede social recorreram a manipulações e ao uso da máquina de relações públicas

Nova York | The New York Times

Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, os dois principais executivos do Facebook, se reuniram com representantes de organizações dos direitos civis nesta terça-feira (7) em uma tentativa de acalmar seus protestos quanto à maneira pela qual a rede social trata o uso de retórica hostil em seu site.

Por mais de uma hora, Zuckerberg, Sandberg e outros executivos da empresa discutiram via Zoom a maneira pela qual ela trata o uso de retórica hostil, com representantes da Anti-Defamation League, da National Association for the Advancement of Colored People e da Color of Change. Essas organizações ajudaram a levar centenas de empresas, entre as quais Unilever e Best Buy, a suspender sua publicidade no Facebook, nas últimas semanas, em protesto contra a maneira pela qual a rede social trata o uso de retórica hostil e a difusão de desinformações.

As organizações disseram ter discutido suas demandas com os líderes do Facebook, entre as quais a contratação de um executivo sênior com experiência na área de direitos civis, a realização de auditorias independentes e a atualização de suas normas de uso, de acordo com um comunicado da organização militante Free Press, cuja copresidente executiva, Jessica Gonzalez, participou da conversa.

Mas Zuckerberg e Sandberg não aceitaram todos esses pedidos, disseram representantes das organizações. Em vez disso, eles afirmaram que os executivos do Facebook recorreram a “manipulações” e ao “uso da poderosa máquina de relações públicas da empresa”.

“Em lugar de aceitarem um cronograma para eliminar o ódio e a desinformação no Facebook, os líderes da companhia repetiram suas velhas posições para tentar nos aplacar sem atender as nossas demandas”, disse Gonzalez.

“Eles apareceram para a reunião esperando que ficássemos felizes simplesmente por terem comparecido”, disse Rashad Robinson, presidente da Color of Change. “Não basta comparecer”.
O Facebook não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Há semanas o Facebook vem enfrentando pressão cada vez mais forte para que aja contra a retórica hostil e a desinformação disseminadas no site. Rivais como o Twitter e a Snap tomaram medidas recentemente contra postagens improcedentes ou inflamatórias do presidente Donald Trump em suas plataformas, mas o Facebook resistiu a agir, mencionando a importância da liberdade de expressão. Os empregados do Facebook estão pressionando a empresa por sua inação, e no mês passado realizaram uma paralisação do trabalho virtual. Nas semanas posteriores, mais de 300 anunciantes aderiram ao boicote contra o Facebook.

Os executivos da empresa vêm adotando um tom cada vez mais conciliador, com o avanço do boicote. Na quarta-feira, a empresa planeja divulgar a parte final de uma auditoria de anos de duração sobre suas normas e práticas quanto aos direitos civis. Os auditores vêm examinando como o Facebook trata questões como a retórica hostil, interferência eleitoral e vieses em seus algoritmos.

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

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