Twitter tem prejuízo de R$ 6,4 bilhões no segundo trimestre

Companhia sofreu impacto da pandemia do coronavírus; número de usuários cresceu 34%

São Paulo

O Twitter reportou um prejuízo líquido de US$ 1,23 bilhão (R$ 6,4 bilhões) no segundo trimestre deste ano. Em igual período de 2019, a companhia havia registrado um lucro de US$ 1,12 bilhão (R$ 5,8 bilhões).

O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (23). Segundo o relatório, parte o prejuízo é explicado por uma reserva financeira feita pela companhia de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões), que estaria relacionada ao pagamento de impostos que foram diferidos e a uma despesa de imposto de renda baseada em prejuízos tributáveis acumulados, relacionados principalmente à pandemia de coronavírus.

“Essa provisão pode ser revertida no caso, e na medida em que haja lucro tributável suficiente para obter o benefício fiscal. Dependendo da extensão e da gravidade do impacto da Covid-19, também poderemos ter uma provisão adicional em um período futuro”, informou a companhia no relatório.

Logo do Twitter; companhia foi impactada pela crise do coronavírus
Logo do Twitter; companhia foi impactada pela crise do coronavírus - Alastair Pike/AFP

A receita da companhia também caiu para US$ 683 milhões (R$ 3,5 bilhões), recuo de 18,8%.

Apesar do prejuízo reportado, as ações da companhia passaram o dia em alta. Perto das 17h, os papeis do Twitter na Bolsa de Nova York registravam alta de 4,25%, a US$ 38,51, com investidores otimistas sobre o crescimento de usuários da plataforma, que cresceu 34% no período.

Segundo a companhia, o movimento foi impulsionado pelo maior volume de conversas e postagens dentro da plataforma sobre acontecimentos atuais, como a própria pandemia do coronavírus e demais eventos que aconteceram ao longo dos últimos meses.

No relatório, a empresa também afirma que as receitas com publicidade caíram 23% no segundo trimestre, impactadas pela pandemia e, posteriormente, pela onda de protestos contra o racismo que acontecia nos Estados Unidos e que levou diversas empresas a implementarem um boicote às redes sociais Facebook e Twitter como forma de exigir maior transparência das marcas e melhores práticas para lidar com conteúdo de ódio dentro de suas plataformas.

O Twitter também se posicionou sobre a quebra de segurança da semana passada, quando as contas de diversas personalidades americanas, como Elon Musk, Bill Gates e Barack Obama, foram invadidas por hackers.

“Agimos rapidamente para resolver o que aconteceu e tomamos medidas adicionais para melhorar a resiliência contra tentativas de ataques de engenharia social, implementamos inúmeras defesas para melhorar a segurança de nossos sistemas e estamos trabalhando com a aplicação da lei enquanto autoridades conduzem as investigações”, disse a companhia em relatório assinado por seu presidente, Jack Dorsey.

“Entendemos as nossas responsabilidades e estamos comprometidos a ganhar a confiança de todos os nossos stakeholders em todas as nossas ações, incluindo a forma como abordamos esse problema de segurança. Continuaremos a ser transparentes aos compartilhar nossos aprendizados e correções”, disse.

O conceito de stakeholder, também conhecido pelo mercado como sendo as partes interessadas de um negócio, diz respeito a qualquer indivíduo ou organização que seja impactado pelas ações da companhia. No caso do Twitter, são stakeholders os seus acionistas, clientes, e usuários, por exemplo.

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