Mais de 40 milhões de brasileiros querem trabalhar mas não conseguem, diz IBGE

País tem 12,9 milhões de desempregados e outros 28 milhões que não buscam emprego, mas gostariam de trabalhar

São Paulo

A taxa de desemprego chegou a 13,7% na quarta semana de julho, com 12,9 milhões de desocupados, 3 milhões a mais do que na primeira semana de maio, quando a taxa de desocupação estava em 10,5%.

Os números são da pesquisa Pnad Covid-19, que busca identificar os efeitos da pandemia no mercado de trabalho e na saúde dos brasileiros.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) considera como deseocupados apenas os trabalhadores que procuraram ativamente por uma vaga de emprego.

Homem observa um cartaz com vagas de emprego na rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo - Dario Oliveira - 22.nov.2017/Folhapress

Outros 28 milhões de brasileiros gostariam de trabalhar, mas foram considerados fora da força de trabalho na semana de 19 a 25 de julho, por não terem buscando ativamente uma ocupação.

Desse contingente, 18,5 milhões disseram que não procuraram trabalho por causa da pandemia ou por não encontrarem uma ocupação na localidade em que moravam.

Assim, o país somava na quarta semana de julho mais de 40 milhões entre pessoas oficialmente consideradas desempregadas e aquelas que gostariam de trabalhar, mas não buscaram ocupação por algum motivo, dentre eles, a pandemia.

Esse cotingente de pessoas chegou a 40,9 milhões na quarta semana de julho, comparado a 40,3 milhões na semana anterior e 36,9 milhões no início de maio, quando começou a série histórica da Pnad Covid. Assim, desde maio, são 4 milhões de pessoas a mais que gostariam de trabalhar e não conseguem, um aumento de 11%.

“Apesar de os indicadores econômicos mais recentes apontarem para uma recuperação mais rápida da atividade do que a prevista inicialmente, os efeitos adversos da crise no mercado de trabalho tendem a persistir durante algum tempo”, observam Maria Andreia Lameiras e Marco Antônio Cavalcanti, pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Segundo Lameiras e Cavalcanti, mesmo que a ocupação se recupere gradualmente ao longo dos próximos meses, a taxa de desemprego deve permanecer alta, pressionada pelo movimento de retorno à força de trabalho de parcela dos trabalhadores que deixaram de procurar emprego por conta da pandemia ou por terem alguma renda garantida pelo auxílio emergencial.

Na semana de 19 a 25 de julho, a população ocupada somava 81,2 milhões, estatisticamente estável em relação à semana anterior (81,8 milhões), mas uma queda em relação ao início de maio (83,9 milhões).

Os afastados do trabalho devido ao distanciamento social caíram a 5,8 milhões na quarta semana de julho, ante 6,2 milhões na semana anterior e 16,6 milhões no início de maio.

Com isso, os afastados do trabalho passaram a representar 7,1% da população ocupada, contra 19,8% no início de maio.

Ainda dentro da população ocupada, 8,3 milhões seguiam trabalhando remotamente na quarta semana de julho, contra 8,2 milhões na semana anterior e 8,6 milhões no início de maio.

O nível de ocupação, percentual de pessoas efetivamente ocupadas entre aquela em idade de trabalhar, chegou a 47,7% na semana de 19 a 25 de julho, comparado a 48% na semana anterior e 49,4% no início de maio.

A taxa de informalidade chegou a 33,5% na quarta semana de julho, ligeiramente acima da semana anterior (32,5%), com 27,2 milhões de pessoas trabalhando de forma informal ao fim do mês passado.

“Vimos na divulgação da semana passada que essa população tinha caído. É uma força de trabalho que oscila bastante nessas comparações curtas. As pessoas entram e saem da força de trabalho com muita facilidade. Com mais facilidade que a população ocupada, que é formalizada”, afirmou a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

Entre os informais estão os empregados do setor privado e trabalhadores domésticos sem carteira; empregadores e trabalhadores por conta própria que não contribuem para o INSS; e pessoas que trabalham ajudando familiares sem remuneração.

Saúde

Ainda conforme a pesquisa, 13,3 milhões de pessoas apresentavam pelo menos um dos 12 sintomas associados à gripe (febre, tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar, dor de cabeça, dor no peito, náusea, nariz entupido ou escorrendo, fadiga, dor nos olhos, perda de olfato ou paladar e dor muscular) na quarta semana de julho.

Dessas, cerca de 3,3 milhões buscaram atendimento médico. Desse total, 159 mil ficaram internadas em algum hospital. No início de maio, quando a pesquisa começou, 26,8 milhões relataram algum sintoma gripal.

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