Descrição de chapéu Financial Times

PSA e Fiat Chrysler encaram investigação antitruste sobre fusão

Divisões de vans das duas companhias, combinadas, dariam às empresa fundidas um terço do mercado europeu do segmento

Javier Espinoza Peter Campbell David Keohane
Bruxelas, Londres e Paris | Financial Times

A fusão de US$ 50 bilhões entre a PSA, da França, e o grupo ítalo-americano Fiat Chrysler está diante de uma investigação antitruste aprofundada, depois que as duas companhias não conseguiram oferecer concessões às autoridades da União Europeia, de acordo com fontes do jornal britânico Financial Times.

A PSA e a Fiat Chrysler, que planejam criar a quarta maior montadora de automóveis do planeta, tem prazo até quarta-feira (12) para acalmar as preocupações de Bruxelas sobre seu poderio combinado no segmento de vans de pequeno porte, altamente lucrativo.

As divisões de vans das duas companhias, combinadas, dariam à empresa combinada um terço do mercado europeu do segmento, mais que o dobro dos 16% detidos pela Renault e pela Ford, os dois concorrentes mais próximos.

No entanto, as companhias vêm relutando em vender essas divisões, que são altamente lucrativas, de acordo com três pessoas informadas sobre as negociações.

Logos da Fiat e da Peugeot - Regis Duvignau/Reuters

Pessoas diretamente informadas sobre o inquérito da União Europeia disseram que durante o período mais longo de investigação, que durará quatro meses, as empresas terão de vender uma das divisões, integralmente ou em parte, ou encontrar outras maneiras de acalmar as preocupações das autoridades com relação à competição.

Mas a expectativa é de que a transação venha a ser aprovada pelas autoridades da União Europeia, e as empresas já tinham incorporado aos seus cálculos de preço uma investigação mais minuciosa, tendo em vista o tamanho da transação, disseram as fontes.

A PSA e a Fiat Chrysler já têm uma joint venture de produção de veículos comerciais leves na Europa.
O escrutínio sobre a divisão de vans já era esperado, quando o acordo foi anunciado formalmente, em dezembro. A expectativa é de que a transação seja concluída no primeiro trimestre de 2021.

Caso o seja, a união levará as companhias a ultrapassar rivais, entre as quais a General Motors e a Hyundai-Kia, e se tornar um grupo com produção anual combinada de nove milhões de veículos, com posições fortes na Europa e América do Norte e uma das linhas de modelos mais lucrativas entre as montadoras de automóveis mundiais.

Embora a transação também precise superar obstáculos antitruste em outros mercados, como o da América Latina, a Europa é região em que as duas companhias apresentam a maior sobreposição.
A Comissão Europeia, que terá de decidir sobre a fusão na semana que vem, se recusou a comentar.
Representantes da Fiat Chrysler e da PSA também preferiram não comentar.

Separadamente, na quarta-feira, a PSA anunciou que a fábrica de automóveis Vauxhall Ellesmere Port, no Reino Unido, não reabrirá antes de setembro.

A fábrica, que produz modelos das marcas Vauxhall e Opel Astra, está parada desde março. O modelo Astra também é fabricado em Gliwice, na Polônia, onde a fábrica reiniciou sua produção na segunda-feira.
A PSA foi a primeira montadora importante a fechar todas as suas fábricas na Europa, e vem afirmando desse então que não retomará suas operações até que a demanda se recupere.

Alguns trabalhadores da fábrica de Ellesmere Port serão transferidos para a fábrica de vans da PSA em Luton, cujas atividades foram retomadas em maio e que está a ponto de acrescentar um terceiro turno de trabalho para ampliar a produção, por conta da demanda forte.

Tradução de Paulo Migliacci

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