Bolsonaro diz que foi consultado por Mendonça e autorizou notificação a supermercados

Ministério da Economia, porém, pediu esclarecimentos sobre decisão da Senacon

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (10) que autorizou a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) a notificar supermercados pela alta de preços de alimentos da cesta básica.

O Ministério da Economia, de Paulo Guedes, porém, enviou um ofício questionando a decisão do órgão do Ministério da Justiça, comandado por André Mendonça. A resposta tem de ser dada em cinco dias.

Em sua live semanal, Bolsonaro disse que foi consultado por André Mendonça, ministro da Justiça, pasta à qual a secretaria está subordinada.

"André Mendonça falou comigo: 'posso botar a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor para investigar, perguntar para supermercados por que o preço subiu?' Eu falei 'pode'. E ponto final. Porque, ao chegar a resposta, pode ser que o errado somos nós. Pode ser o governo, daí o governo toma providência e ponto final", disse Bolsonaro, desta vez não ao lado de algum de seus ministros, mas de uma criança youtuber.

Presidente Jair Bolsonaro em reunião com Marcelo Magalhães, Secretário Especial do Esporte do Ministério da Cidadania
Presidente Jair Bolsonaro em reunião com Marcelo Magalhães, Secretário Especial do Esporte do Ministério da Cidadania - Marcos Corrêa - 09.set.2020/PR

Na quarta-feira (9), a Senacon notificou a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) e representantes de produtores de alimentos.

O anúncio foi feito no momento em que o presidente dos supermercadistas, João Sanzovo Neto, era recebido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro Paulo Guedes (Economia) no Palácio do Planalto.

Sanzovo Neto sugeriu, após o encontro, que os brasileiros substituam o arroz, produto com preço em alta, pelo macarrão.

Conforme mostrou a Folha, a medida do Ministério da Justiça pegou de surpresa as pastas de Guedes e de Tereza Cristina (Agricultura) por soar intervencionista. Os ministérios vinham trabalhando em uma ação de mercado contra a alta dos preços, especialmente a do arroz.

Integrantes do Ministério da Economia descartam qualquer tipo de medida semelhante a um controle de preços por parte do governo.

Na live, Bolsonaro disse que não interferiria no mercado, pois o que tem que valer é a lei da oferta e da procura. Citou como uma das providências tomadas a compra de 400 mil toneladas de arroz do exterior sem o imposto de importação.

O presidente atribuiu o aumento do preço do arroz a dois fatores: o aumento do consumo por causa do pagamento do auxílio emergencial e a alta do dólar, que estimulou a exportação do produto.

"Com o auxílio emergencial, o pessoal comeu... começou a consumir um pouco mais, um pouquinho mais, mas um pouquinho perto de milhões de pessoas, realmente, ajudou a desaparecer um pouco esta mercadoria das prateleiras", disse Bolsonaro.

"O dólar está alto, facilita as exportações também. Tenho conversado sempre com os ministros, presidente do Banco Central, [sobre] o que a gente pode fazer para o dólar aí não subir tanto, o que o governo pode fazer legalmente, obedecendo as regras do mercado", disse o presidente.

Na mesma live, Bolsonaro disse que não haverá nova prorrogação do auxílio emergencial.

"Não vai ter uma nova prorrogação porque o endividamento cresce muito, o Brasil perde confiança, juros podem crescer, pode voltar inflação​", afirmou o presidente.

Bolsonaro recomendou que aqueles que desejam receber auxílio por mais tempo procurem prefeitos e governadores que restringiram o funcionamento do comércio como uma maneira de minimizar a transmissão do novo coronavírus.

"Não quero culpar ninguém não, mas vão pedir auxílio para quem tirou seu emprego, né, para quem falou 'fique em casa'. Fique em casa, o Brasil todo parou. 'Fique em casa, a economia a gente vê depois'. Chegou o boleto para pagar", afirmou o presidente.

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