Pix deve afetar receitas do banco, mas impacto será controlado, diz presidente do Itaú

Para Candido Bracher, sistema de pagamentos instantâneos deve aumentar bancarização

São Paulo

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, deverá afetar as receitas do Itaú Unibanco em operações envolvendo conta corrente, afirmou o presidente da instituição, Candido Bracher.

Segundo ele, o movimento aconteceria pela redução de transferências por TED e DOC em prol da preferência pelo novo sistema do BC. O impacto, no entanto, seria controlado.

“O Pix vai trazer reflexos importantes no mercado financeiro e deve beneficiar o Itaú com a bancarização de uma parte importante da população. Por outro lado, é de se esperar que boa parte dessas pessoas passe a usar o Pix ao invés de TEDs e DOCs. Isso deve ter um impacto inicial nas receitas com conta corrente do banco. Mas essas receitas representam menos de 1% e esse impacto deve ser moderado”, disse.

Bracher falou sobre Pix nesta quarta-feira (23), em evento promovido pela Itaúsa, holding de investimentos que tem participações no Itaú Unibanco e em empresas como Alpargatas, Duratex e NTS, entre outras.

Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco
Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco; executivo afirma que sistema de pagamentos do BC também aumentará a bancarização da população - Zanone Fraissat - 2.dez.2019/Folhapress

O Pix entra em operação de maneira gradual em outubro. O funcionamento pleno está previsto para 16 de novembro. O sistema vai operar 24 horas, sete dias por semana, com envio e compensação instantâneas do dinheiro e de maneira gratuita para quem envia os recursos.

Atualmente, no caso de TEDs e DOCs, por exemplo, há restrição de horários e custos com uma média de R$ 10 nas grandes instituições financeiras para clientes que não têm transferências no pacote bancário.

Inadimplência

Outro tema discutido durante encontro foi o risco de inadimplência com a crise deflagrada pela Covid-19. O anfitrião do evento e presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, afirmou que ainda não está claro o nível de calotes que o banco pode sofrer nos próximos meses, mas que já existem sinais de recuperação da economia.

“Tivemos um grande número de renegociações e ainda não sabemos exatamente qual o nível de inadimplência que vamos enfrentar", disse. "Muitas pessoas já começaram a pagar, nesses últimos meses, os créditos que tomaram, o que é um sinal positivo, mas só vamos ter uma visão mais clara do que de fato será a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas mais para frente.”

Segundo Setubal, apesar de as empresas da Itaúsa terem sofrido no início da pandemia, com resultados mais fracos e produção reduzida, já sentem a mudança no cenário.

“A gente vinha em uma velocidade que estava se acelerando e esperávamos um ano mais frutífero em termos de crescimento econômico. Mas de repente o nosso carro bateu no muro e a parada foi súbita. Isso evidentemente teve impactos muito grandes”, afirmou o empresário.

Empresas de diferentes setores sofreram com a queda de demanda e tiveram dificuldades para fazer e receber pagamentos de fornecedores e clientes.

Os cinco maiores bancos do país, grupo que, além do Itaú Unibanco, inclui Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica e Santander, se viram obrigados a aumentar significativamente as reservas contra calotes de crédito em seus balanços no primeiro semestre, prevendo um aumento da inadimplência como reflexo da crise do coronavírus.

Segundo Setubal, a Duratex e a Alpargatas, outras duas empresas com participação da Itaúsa, chegaram a recorrer a crédito no sistema financeiro para ter caixa e fazer frente a atrasos e dificuldades de clientes. “Mas já estamos, felizmente, operando à plena capacidade”, disse.

PIB

Para este ano, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, afirmou que o banco projeta queda de 4,5% no PIB (Produto Interno Bruto), mas já prevê uma melhora na atividade econômica no ano que vem, com crescimento em 3,5%.

Mas o economista projeta que haverá uma herança fiscal negativa a ser resolvida. “Um dos legados dessa crise, sem dúvida, será o aumento da dívida pública. Parte fundamental da resposta à pandemia foi o aumento dos gastos fiscais para ajudar a sustentar o consumo, mas a questão é que o Brasil já chegou nessa crise com o governo altamente endividado”, afirmou.

Segundo Mesquita, outro fator importante que merece monitoramento é o teto de gastos do governo. Caso não seja respeitado, o cenário é de desvalorização do real ante o dólar e alta na inflação.

“Além disso, um elemento importante para sustentar o consumo no ano que vem é a taxa de poupança. Famílias estão poupando mais, seja por precaução ou porque não conseguem consumir e isso vai ajudar quando o coronavoucher acabar”, disse.

O banco também projeta uma taxa de desemprego de 16,6% para o final deste ano, inflação em 2,5%, Selic em 2% ao ano e câmbio em R$ 5,25.

Para 2021, a expectativa é que o desemprego fique em 16,2%, que a inflação atinja 2,8%, que a taxa básica de juros suba para 3% e que o dólar caia para R$ 4,50.

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