Descrição de chapéu Brics

PIB chinês cresce 4,9% no 3º tri, abaixo das expectativas do mercado

Crescimento apaga contração recorde do primeiro trimestre, marcado pela pandemia

São Paulo

O PIB (Produto Interno Bruto) da China cresceu 4,9% no terceiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Em comparação ao segundo trimestre, a expansão foi de 2,7%.

Os dados divulgados neste domingo (18) —manhã de segunda (19) na China— vieram abaixo das expectativas do mercado de crescimento anualizado de 5,5% e, trimestral de 3,3%, segundo estimativas de economistas consultados pela Bloomberg.

Já pesquisa da agência de notícias Reuters levantou expectativa de crescimento ano a ano de 5,2% e trimestral de 3,2%.

Linhas de produção de baterias de lítio em Yichang, na província chinesa de Hubei
Linhas de produção de baterias de lítio em Yichang, na província chinesa de Hubei; PIB do país cresceu 4,9% no terceiro trimestre - REUTERS/Stringer

Apesar de ficar abaixo do esperado, este é o melhor resultado do país desde o último trimestre de 2019, quando cresceu 6%. Em todo o ano passado, a economia saltou 6,1% em relação a 2018, o crescimento mais lento em 29 anos.

O dado do terceiro trimestre representa uma aceleração na retomada da atividade econômica da China, que conseguiu conter a pandemia de coronavírus.

Neste domingo, a China contabilizou apenas 13 novos casos de Covid-19, mesmo número de sábado (17). Segundo a pasta de saúde do país, todos os novos casos de pessoas que vieram do exterior. O país soma 85.685 casos confirmados e 4.634 mortes.

Com o resultado do terceiro trimestre, o país acumula um crescimento de 0,7% neste ano.

No segundo trimestre, o PIB chinês cresceu 3,2% e no primeiro, caiu 6,8%, na primeira contração da série histórica que teve início em 1992.

A China deve ser a única grande economia a crescer em 2020 segundo previsão do FMI (Fundo Monetário Internacional), que prevê alta de 1,9% no PIB do país.

Para superar os efeitos econômicos do coronavírus, o governo implementou uma série de medidas, incluindo mais gastos fiscais, redução de impostos e cortes nas taxas de empréstimos e exigências de reserva dos bancos.

Embora o banco central local tenha intensificado o apoio à política expansionista no início deste ano, depois que restrições generalizadas a viagens sufocaram a atividade econômica, mais recentemente ele evitou novas flexibilidades, o que pode ter impactado o crescimento abaixo do esperado.

Os dados relatvos a setembro, porém, vieram acima do esperado, com destaque para as vendas no varejo, que cresceram 3,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, ante alta de 0,5% em agosto. Economistas previam aumento de 1,6%.

Já a produção industrial chinesa cresceu 6,9% em setembro, após alta de 5,6% em agosto, acima da expectativa de 5,8%.

O investimento em ativos fixos cresceu 0,8% nos primeiros nove meses em relação ao ano anterior, após cair 0,3% nos primeiros oito meses. O mercado esperava alta de 0,9%.

"A recuperação no PIB do terceiro trimestre foi menos forte do que o esperado, mas ainda foi decente no comparativo anual. Os dados de setembro superaram as expectativas, sugerindo uma aceleração na última parte do terceiro trimestre, o que é um bom presságio para as perspectivas do quarto trimestre", disse Frances Cheung, chefe de estratégia para a Ásia no banco australiano Westpac.

No início do pregão da segunda-feira (19), as Bolsas asiáticas operam em alta. O índice CSI 300, reúne as maiores empresas da China, sobe 0,4%. A Bolsa de Hong Kong tem alta de 0,8% e a do Japão, de 1%.

(Com Reuters)

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