Descrição de chapéu senado

Bolsonaro assina medidas que isentam conta de luz para consumidores do Amapá

Residentes não pagarão eletricidade referente aos últimos 30 dias; governo terá custo de até R$ 80 milhões

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou medidas provisórias para isentar os consumidores do Amapá do pagamento de contas de energia elétrica referentes aos últimos 30 dias.

O custo para o Tesouro com a operação será de até R$ 80 milhões. O governo vai compensar o gasto com a antecipação do fim da isenção do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre crédito.

O Amapá vive uma crise no fornecimento de eletricidade com o blecaute que começou no dia 3 de novembro, depois de um incêndio na subestação Macapá. A interrupção no sistema de fornecimento de energia elétrica atingiu 14 dos 16 municípios do estado, que concentram cerca de 90% da população. Parte do serviço foi restabelecida, mas um novo apagão atingiu o estado no dia 17.

Em visita ao estado no sábado (21), o presidente disse que os afetados pelo apagão seriam compensados na conta de luz.

De acordo com a Secretaria-Geral da Presidência, a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) repassará recursos para a Companhia de Eletricidade do Amapá. A isenção dos pagamentos será garantida por transferência do Tesouro à CDE, limitados a R$ 80 milhões.

"Com isso, busca-se proteger os consumidores do estado, sem causar prejuízo que inviabilize a companhia. Ao mesmo tempo, permite-se que todas as demais medidas sejam tomadas para apurar responsabilização decorrente de eventual exploração inadequada do serviço público de fornecimento de energia elétrica", afirmou a Secretaria-Geral em nota à imprensa.

A despesa que o governo terá com os repasses ao Amapá será compensada com a antecipação do fim do IOF sobre crédito em um mês. A previsão é que o imposto zero para essas operações vigorasse até o fim do ano, mas ele foi antecipado para 26 de novembro. A mudança deve constar em decreto publicado nesta quinta (26) no Diário Oficial da União.

"A medida permitirá a recomposição orçamentária decorrente da compensação financeira concedida pela União na transferência de recursos para a CDE", diz o Planalto.

A redução do IOF sobre operações de crédito foi anunciada pela primeira vez em abril e valeria inicialmente até julho. Trata-se de uma das medidas adotadas pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) para reduzir os impactos econômicos da pandemia da Covid-19.

Ela foi estendida uma primeira vez até outubro. No início daquele mês, houve nova prorrogação até 31 de dezembro —prazo agora antecipado.

A assinatura das medidas provisórias ocorreu na Base Aérea de Brasília, depois do retorno de Bolsonaro de São Paulo. Também participaram o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), que é do Amapá.

A cerimônia de assinatura da medida provisória aconteceu no mesmo horário de sessão deliberativa do Senado, que acabou presidida pelo vice-presidente da Casa, Antonio Anastasia (PSD-MG).

Na pauta estava um item considerado de extrema importância pelo governo e pela equipe econômica: a nova lei de falências e recuperação judicial.

Essa é a terceira sessão deliberativa seguida que o presidente do Senado não comparece, para tratar de temas ligados ao apagão no estado do Amapá.

O irmão do presidente do Senado, Josiel Alcolumbre, é candidato a prefeito de Macapá, em eleições que foram adiadas para o dia 6 de dezembro. Após o blecaute, Josiel perdeu parte da liderança que mantinha nas pesquisas.

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