Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Dólar perde força com possível vitória de Biden

Mercado espera aumento de gastos em um governo democrata

São Paulo

Desde que Joe Biden, candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, passou a liderar a apuração, o dólar se desvaloriza antes seus principais pares globais. O índice DXY, que mede a força internacional da moeda americana, recua 1,6% desde terça-feira (3), quando o país foi às urnas, no menor patamar desde 1º de setembro.

O mesmo ocorre no Brasil. Nesta quinta (5), o dólar caiu 1,96%, a R$ 5,5460, menor valor desde 9 de outubro. Na mínima, chegou a R$ 5,5350. O turismo está a R$ 5,70.

Na véspera, a moeda caiu 1,8% ante o real. Em outubro, a queda acumulada é de 3,3%.

Segundo especialistas, dois fatores explicam o movimento: o primeiro deles é a tradição democrata de ampliar gastos do governo federal para impulsionar a economia. O segundo é a definição de um vencedor que não tem maioria na Câmara e no Senado, o que dificulta mudanças mais abrangentes na legislação do país.

O candidato democrata Joe Biden durante discurso em Wilmington, Delaware - Jim Watson/AFP

“O partido democrata usa mais o balanço fiscal para impulsionar a economia e isso faz com que você tenha um país mais endividado, emitindo mais moeda, o que leva o dólar a se desvalorizar”, diz Thomás Gibertoni, especialista da Portofino Multi Family Office.

A expectativa de que a vitória democrata na presidência, Câmara e Senado estimularia gastos governamentais e levaria a uma alta na inflação levou o rendimento dos títulos do Tesouro americano a subir na terça. O rendimento do título de 10 anos foi acima dos 0,9% no início da contagem, sua marca mais alta desde junho. No momento, o juro deste papel está a 0,77% ao ano.

Apesar da contestação da apuração pelo oponente e atual presidente, o republicano Donald Trump, analistas dizem que há menos aversão a risco no mercado, o que leva investidores a se desfazerem do investimento em dólar como proteção ao cenário conturbado de pandemia e eleições.

“O dólar foi o primeiro escape do investidor no movimento de incerteza, com a alta nos casos de coronavírus na Europa. Hoje, vejo esta desvalorização da moeda como um movimento de correção, porque o mercado espera a vitória do Biden, que vem mais positiva do que o desenhado, pelo Senado ser republicano”, diz Stefany Oliveira, Analista de Investimentos da Toro.

Segundo Stefany, a queda de mais de 3% da moeda no Brasil nesta semana é um reflexo da realização de lucros dos investidores. “É a incerteza que levou o dólar a subir e agora o mercado está bem certo do que vai acontecer”.

No ano, a divisa americana se valorizou ante a maior parte das moedas emergentes, vistas como muito arriscadas em um contexto de crise econômica e incerteza. Contra o real, o dólar sobe 38% em 2020.

“A entrada do Biden tira a pressão que vimos nos últimos anos com a política protecionista do Trump, principalmente esfriando a guerra comercial com a China, desta forma a expectativa de um clima mais calmo faz que os investidores saiam da posição de proteção em dólar e voltem a países emergentes”, diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

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