Brasil precisa ser mais agressivo em sustentabilidade, diz BlackRock

Maior gestora de ativos do mundo prevê aumento da pressão externa sobre o país

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Brasília

O presidente da BlackRock, Larry Fink, afirmou nesta terça-feira (8) que o Brasil precisa ser agressivo em sustentabilidade como país e sociedade.

Para Fink, executivo da maior gestora de ativos do mundo, que administra US$ 7,4 trilhões, a pressão nesta área vinda de investidores sobre países emergentes tende a crescer cada vez mais.

“Se você busca atrair capital estrangeiro para ter apoio, para financiamento do governo, haverá cada vez mais pressão daqueles que são donos dos recursos, como nos Estados Unidos e no Japão”, afirmou durante a Conferência Itaú Amazônia.

"Haverá uma realocação de capital. Esses países vão ter que pagar juros mais altos. É uma outra recalibração de capital.”

Ele defende que o Brasil aproveite a sustentabilidade como um ativo para atrair investimentos. Fink afirmou ainda que, dada a posição geográfica do país, esses aportes não são apenas desejáveis mas também necessários para garantir uma resposta adequada às mudanças climáticas.

“O grande risco deste país é estar próximo da [linha do] Equador, tem enorme risco de mudança climática. Precisamos proteger e achar formas de mitigar isso. Para o Brasil fazer isso adequadamente, vai precisar de um aporte de capital”, disse.

Em sua visão, o Brasil ocupa uma "posição singular no mundo" na área e que, por isso, existe uma forte demanda externa para que o país reaja.

Empresários brasileiros têm se articulado em torno de ações sustentáveis na tentativa de deter represálias internacionais contra o aumento do desmatamento e a atuação do governo brasileiro, considerada problemática na área ambiental por críticos internos e externos.

Em julho, os presidentes dos bancos Itaú, Bradesco e Santander se reuniram com o vice-presidente Hamilton Mourão e outros representantes do governo para discutir uma ação conjunta em defesa da Amazônia.

Na ocasião, uma carta de intenções foi apresentada ao final do evento e as instituições financeiras se comprometeram a apoiar iniciativas voltadas ao fomento da bioeconomia na Amazônia, além de expansão da infraestrutura básica para a população local e incremento do mercado de títulos financeiros verdes.

Em junho, 29 investidores globais, que juntos administram US$ 3,7 trilhões em ativos administrados ao redor do mundo, assinaram uma carta aberta ao Brasil expressando preocupação sobre a política ambiental no país e os riscos contra direitos humanos.

O aumento do desmatamento tem sido um entrave ao avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia. Países como França e Áustria pressionam por compromissos ambientais mais rígidos para garantir que a produção não tenha origem em cadeias associadas à devastação de biomas.

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