Bolsonaro avalia Pazuello no PPI e dá posse de novo ministro da Saúde

Centrão ainda tentou convencer presidente a nomear um parlamentar para a pasta, mas sem sucesso

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Brasília

O presidente Jair Bolsonaro avalia indicar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para chefiar o PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), órgão responsável por supervisionar os processos de privatizações do governo federal.

Com isso, Bolsonaro quer dar uma saída honrosa a Pazuello —​criticado e investigado pela atuação no Ministério da Saúde durante a pandemia.

A definição de um lugar para acomodar Pazuello era um dos obstáculos para a posse do novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga.

A demora em oficializar a posse foi publicamente cobrada por líderes do centrão. Queiroga foi anunciado por Bolsonaro na semana passada e tomou posse nesta terça em uma discreta cerimônia.

Até a conclusão desta edição a confirmação do general no novo cargo não havia sido publicada no Diário Oficial da União.

Em entrevista à coluna Painel, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou que a demora na efetivação da troca é "um erro do governo". "Deveria ter tomado posse na semana passada, espero que isso se resolva amanhã (23)", declarou.

O PPI hoje está sob o guarda-chuva do ministro Paulo Guedes (Economia).

A ida de Pazuello deve coincidir com a transferência do programa de privatizações para a Secretaria-Geral, do ministro Onyx Lorenzoni (DEM) —​numa nova derrota para Guedes.

Onyx já teve o programa sob sua supervisão quando ele esteve vinculado à Casa Civil.

A posse de Queiroga também foi protelada para que o médico pudesse deixar oficialmente a posição de sócio-administrador de uma clínica.

Diante das críticas do centrão, grupo parlamentar que hoje dá sustentação ao presidente, Bolsonaro foi aconselhado a realizar a posse o quanto antes.

O esforço de acelerar a troca também tem como objetivo evitar cobranças das cúpulas do Legislativo e do Judiciário em reunião marcada para quarta-feira (24).

A falta de uma definição em meio a uma escalada de mortes gerou descontentamento e seria tratada no encontro.

A demora na posse de Queiroga levou ainda líderes do bloco do centrão a retomar, desde o final de semana, pressão para emplacar um outro nome na pasta. Segundo relatos feitos à Folha, integrantes do grupo partidário chegaram a sugerir a ministros palacianos que repensassem as indicações dos deputados federais Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), o "Doutor Luizinho", e Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara.

Em conversas reservadas, contudo, Bolsonaro insistiu na necessidade de que a pasta ficasse com um nome técnico, de preferência um médico, na tentativa de inaugurar o que ele tem chamado de uma nova fase na gestão do combate à pandemia.

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