Descrição de chapéu Financial Times

Colonial Pipeline retoma operações nos EUA após corrida aos postos de combustíveis

Empresa diz que normalização do abastecimento poderá levar dias

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Derek Brower Myles McCormick
Nova York | Financial Times

Os oleodutos da Colonial Pipeline reiniciaram suas operações nesta quarta-feira (12), o que permitiu que suprimentos de derivados de petróleo começassem a chegar aos estados da Costa Leste dos Estados Unidos cinco dias depois de um ataque de hackers que causou uma corrida aos postos de gasolina.

A empresa anunciou o início da retomada de operações por volta das 17h, horário da Costa Leste americana, mas acautelou que levaria “diversos dias para que a cadeia de suprimento de entrega de produtos volte ao normal”.

Jennifer Granholm, secretária da Energia dos Estados Unidos, confirmou no Twitter a retomada do fluxo de combustíveis e relatou que conversou por telefone com o presidente-executivo da Colonial Pipeline.

O sistema de oleodutos de 8,8 mil quilômetros de extensão tem capacidade para transportar 2,5 milhões de barris diários de combustíveis e é uma via crítica para a entrega de combustível líquido das refinarias de petróleo para os estados ao longo da Costa Leste americana.

Colonial Pipeline, principal operador de dutos de combustíveis dos EUA, retoma atividades após corrida aos postos de combustíveis - 9.mai.21/Reuters

O sistema foi fechado na sexta-feira (7), depois do que o FBI, serviço federal de investigações americano, descreveu o episódio como um ataque com “ransomware” promovido por um grupo de hackers chamado DarkSide.

O fechamento do oleoduto levou o preço médio da gasolina nos Estados Unidos a passar dos US$ 0,80 (R$ 4,18) por litro, na quarta-feira, sua maior marca desde 2014. Os contratos futuros de gasolina mostravam queda de cerca de 1%, para US$ 0,57 (R$ 2,98) por litro, na noite do mesmo dia, depois que a Colonial Pipeline anunciou a retomada das operações.

As compras de combustível movidas pelo pânico em algumas áreas do sudeste dos Estados Unidos resultaram em escassez do produto. Dois terços dos postos de gasolina da Carolina do Norte informaram ter esgotado seus estoques de gasolina, porque os motoristas decidiram formar reservas de combustível, de acordo com a GasBuddy, que fornece informações sobre o mercado de combustíveis.

“Agora enfim os americanos poderão ter alguma paz de espírito, com a retomada do fluxo de gasolina, diesel e combustível de aviação para as áreas afetadas”, disse Patrick De Haan, diretor de análise de derivados de petróleo da GasBuddy.

Mas reconduzir o sistema de oleodutos, que anteriormente carregava quase metade do combustível usado na costa leste americana, ao seu nível prévio de serviço vai demorar algum tempo. A Colonial informou que alguns de seus mercados podem passar por “interrupções intermitentes de serviço durante o período de reinício de operações”.

“A Colonial transportará o máximo possível de gasolina, diesel e combustível de aviação, respeitando as normas de segurança, e continuará a fazê-lo até que os mercados se normalizem”, acrescentou a empresa.

Jeff Lenard, vice-presidente de iniciativas estratégias setoriais na NACS, uma associação de proprietários de lojas de conveniência, alertou que a velocidade de deslocamento do combustível pelos oleodutos fica entre 5 km/h e 8 km/h —ou o equivalente a cerca de 160 quilômetros por dia —, o que significa que vai demorar algum tempo para que o combustível despachado da costa do Golfo do México chegue ao nordeste do país.

“O combustível flui em velocidade de caminhada e, portanto, se você quiser saber quanto a viagem demora, vá a pé [de Nova York] a Houston. Não esqueça de usar sapatos em resistentes”, disse Lenard.

Richard Joswick, responsável pela área mundial de análise de petróleo na S&P Global Platts, empresa que fornece informações sobre o setor de energia, disse que os estoques de gasolina no nordeste dos Estados Unidos provavelmente cairiam ao seu nível mais baixo em cinco anos, dada a corrida aos postos causada pelo pânico, que exacerbou a defasagem causada pela paralisação de cinco dias nos oleodutos.

Um retorno ao normal “vai demorar pelo menos duas semanas”, tanto na costa leste dos Estados Unidos quanto nas refinarias do Golfo do México, que perderam um dos destinos mais importantes de seu combustível nos últimos dias, ele disse.

Exportadores europeus de combustível começaram a fretar navios para ampliar os embarques rumo aos Estados Unidos, e o governo Biden relaxou algumas regras nos últimos dias para permitir que combustível produzido em outras regiões do país seja enviado à região leste via caminhão ou navio.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.