Descrição de chapéu Financial Times series

Guerra do streaming faz grupos de mídia gastarem mais de US$ 100 bi em conteúdos

Investimento acompanha preocupações em atrair novo público em 2022

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Anna Nicolaou Christopher Grimes
Nova York e Los Angeles | Financial Times

Os oito principais grupos de mídia dos Estados Unidos planejam gastar pelo menos US$ 115 bilhões (R$ 650 bilhões) em novos filmes e programas de TV no próximo ano, buscando melhorar o negócio de streaming de vídeo, que causa prejuízo para a maioria deles.

Os enormes gastos em investimentos ocorrem em meio a preocupações de que será mais difícil atrair novos clientes em 2022, depois do crescimento impulsionado pela pandemia em 2020 e 2021. Mas a alternativa é ficar fora da disputa por espaço no streaming.

"Não há como voltar atrás", disse o analista de mídia Michael Nathanson, da MoffettNathanson. "A única forma de competir é gastar cada vez mais em conteúdo de alta qualidade."

Logos da Netflix, Amazon Prime Video e Disney Plus - Divulgação

O Financial Times calculou os gastos planejados com base em informações das empresas e relatórios de analistas. Um executivo de entretenimento os chamou de "estonteantes".

A maioria das empresas —a lista inclui Walt Disney, Comcast, WarnerMedia e Amazon—​ está preparada para acumular perdas em suas unidades de streaming. Incluindo os direitos de transmissão de eventos esportivos, a estimativa de gastos agregados sobe para cerca de US$ 140 bilhões (R$ 790 bilhões).

O investimento da Disney em conteúdo de streaming deve crescer de 35% a 40% em 2022, segundo estimativas do Morgan Stanley. Os gastos da empresa com todos os novos filmes e programas de TV devem chegar a US$ 23 bilhões (R$ 129,7 bi), mas o número aumenta para US$ 33 bilhões (R$ 186,2 bi) quando se incluem os direitos esportivos ——32% a mais de seu gasto total com conteúdo em 2021 e 65% em relação a 2020.

Entre os programas da Disney previstos para 2022 estão uma releitura de "Pinóquio" estrelada por Tom Hanks, uma nova prestação da franquia "Carros" e "Obi-Wan Kenobi" estrelado por Ewan McGregor. Netflix, ViacomCBS, Fox e Apple também pretendem gastar bilhões de dólares em conteúdo.

"A verdadeira manchete em 2022 é quanto dinheiro foi alocado para as plataformas de conteúdo", disse John Sloss, sócio do escritório de advocacia Sloss Eckhouse Dasti Haynes e chefe da Cinetic Media, agência de consultoria e gestão de talentos. "É simplesmente estonteante."

O aumento de assinantes foi mais lento para a Netflix, o serviço de streaming Disney Plus e outros nos últimos trimestres. Executivos da Netflix atribuíram isso a uma agenda de programação mais fraca, devido a atrasos na produção relacionados ao coronavírus, problema que atormentou toda a indústria.

Mas o fato de que até mesmo o líder do setor deve investir pesadamente para produzir programas e acompanhar o ritmo dos concorrentes fez alguns investidores se perguntarem se o streaming de vídeo é um bom negócio.

A Netflix deve gastar mais de US$ 17 bilhões (R$ 96 bilhões) em conteúdo no próximo ano —um aumento de 25% em relação a 2021 e 57% sobre os US$ 10,8 bilhões gastos em 2020. A empresa espera atingir o ponto de equilíbrio e ter um fluxo de caixa livre positivo em 2022.

"Será um marco para a Netflix" se atingir esses objetivos, disse Tuna Amobi, analista sênior de mídia e entretenimento da firma de pesquisas de investimento CFRA.

Para empresas de mídia mais tradicionais, no entanto, a transição da televisão e de filmes tradicionais para o streaming "causou diluição significativa nas margens [de lucro]", observou recentemente o Morgan Stanley.

"O mercado está cada vez mais preocupado por não haver pote de ouro no fim desse arco-íris", afirmam analistas do banco.

Os custos têm aumentado em geral, à medida que as maiores empresas de entretenimento e tecnologia correm para produzir mais programas para alimentar seus serviços de streaming. Ficou difícil encontrar locações para filmar em Los Angeles. Os estúdios, historicamente um nicho no mercado imobiliário, atraíram investimentos das firmas de private equity Blackstone e TPG.

"Por causa da mera competição por talentos, por tudo o que está envolvido na produção, os custos do conteúdo subiram", disse Christine McCarthy, diretora financeira da Disney, a investidores no mês passado.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Leia tudo sobre o tema e siga:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.