Como escolher um ponto comercial movimentado e perto do público-alvo

Empresários aumentam a chance de sucesso quando analisam o fluxo de pessoas em todos os dias da semana e mapeiam a concorrência

Renan Marra
São Paulo

Metade do sucesso de um empreendimento comercial se deve à sua localização, estimam especialistas. Quem escolhe um lugar às pressas corre o risco de pagar mais pelo imóvel e ainda ter pouco movimento na loja. 

Em média, um empresário leva de 70 a 90 dias para encontrar o ponto ideal, afirma Filomena Garcia, sócia do Grupo Cherto, que presta consultoria em franquia, formatação e expansão de negócios.

O sócio da pizzaria Crek Marcos Pagliaro em unidade dentro de shopping em SP
O sócio da pizzaria Crek Marcos Pagliaro em unidade dentro de shopping em SP - Adriano Vizoni/Folhapress

É o tempo necessário para pesquisar e tomar uma decisão pensada. O ideal, diz Garcia, é negociar com pelo menos três lugares para barganhar e não ficar refém de uma só opção. Assim, é possível analisar as ofertas friamente.

Antes de bater o martelo, deve-se saber onde está o público-alvo do negócio. Podem ajudar nessa etapa empresas que fazem mapeamento de consumo utilizando dados de geomarketing.

Especializada em franquias e varejo, a consultoria Goakira usa dados sobre consumo e fluxo de pessoas fornecidos pelo IBGE e por empresas de marketing para definir o perfil de cada região da cidade, apontando renda média, moradores por domicílio e trabalhadores no bairro.

Segundo Fabiana Hamada, sócia da empresa, a ferramenta é utilizada principalmente por franquias, mas não tão explorada por outros empreendedores. Os custos do estudo variam de R$ 4.000 a R$ 12 mil, dependendo da complexidade do levantamento. 

Por meio de uma pesquisa de geomarketing, Carlos Pascotto Junior, sócio da Vincere Musculação e Fisioterapia, descobriu que seu público-alvo —pessoas com idade acima de 40 anos— está disposto a percorrer só dez minutos para chegar ao seu espaço.

Essa informação foi fundamental para determinar a localização da segunda unidade da marca, no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo. Eliminou, por exemplo, a possibilidade de abri-la no Campo Belo (zona sul), porque seus clientes teriam que andar por mais tempo para chegar.

Na inauguração da unidade, neste mês, recebeu cerca de três vezes mais clientes do que na abertura do primeiro ponto, em Moema (zona sul).

O empresário Carlos Pascotto Junior na zona sul de SP
O empresário Carlos Pascotto Junior na zona sul de SP - Danilo Verpa/Folhapress

Para o consultor de negócios do Sebrae Bruno Zamith, porém, esses estudos podem ser genéricos e não substituem a observação in loco.

“É conversando que você descobre os detalhes”, diz Zamith. Ele ainda sugere investigar o histórico do ponto com comerciantes da região.

Também é recomendável observar o fluxo de pessoas em todos os horários e dias da semana. “Já vi empreendedor que escolheu o ponto sem saber que na rua tinha feira. Ele praticamente perde quatro dias por mês”, diz Filomena, do Grupo Cherto.

Em geral, as zonas especializadas, que concentram lojas do mesmo segmento, dão melhores chances de sucesso ao negócio. O número de consumidores que busca essas regiões tende a compensar a concorrência acirrada.

Apesar da menor disputa por público, uma zona isolada exige maior investimento em propaganda, que nem sempre resulta em mais frequentadores, afirma Lyana Bittencourt, diretora do Grupo Bittencourt, especializado em franquias.

Já nos shopping centers, é preciso avaliar o comportamento dos frequentadores —se estão com sacolas ou só passeando, por exemplo. Alguns desses centros são mais fortes em entretenimento, e o público busca mais lazer e alimentação do que compras. 

Marcos Pagliaro, sócio da Pizza Crek, recusou dois pontos no shopping Metrô Santa Cruz para a abertura de uma unidade porque observou que o fluxo de pessoas não era grande nos locais. Esperou um ano e meio até achar uma loja próxima à entrada do metrô. 

Fora dos centros comerciais, detalhes fazem toda diferença: um ponto na esquina permite o trabalho de marketing em duas ruas. 

Já locais onde bate sombra de tarde têm menos reflexo nos vidros, dando mais visibilidade à vitrine, e fluxo maior de pessoas na calçada. 

É essencial que a fachada esteja em destaque. Se algo bloquear a vista da loja, vale investir num imóvel onde seja possível montar uma vitrine no segundo andar.

O empreendedor deve ficar atento ao plano diretor urbano do município para verificar possíveis impedimentos à montagem do negócio. E consultar a subprefeitura para checar se há projetos que possa atrapalhar indiretamente a empresa, como a instalação de corredor de ônibus no local.

Uma vez escolhido o lugar ideal, o próximo passo é analisar o preço: o custo do aluguel deve girar entre 10% e 12% do faturamento mensal. 

De acordo com Vinícius Mendes Lima, criador da agência de fomento social Besouro, ao abrir o negócio, o empresário deve ter dinheiro para mantê-lo por um ano, para que sobreviva até a consolidação da marca.

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