Olhar para a concorrência ajuda empresário a montar plano de ação

Pesquisa possibilita mapear pontos que podem ser explorados como diferencial de sua marca

São Paulo

Para ter sucesso, não basta às empresas ficar de olho apenas em seus resultados. É preciso acompanhar de perto os indicadores econômicos do país e a concorrência para, então, traçar as estratégias de seu negócio.

Segundo Ariadne Mecate, consultora do Sebrae-SP, a análise de mercado deve começar antes do início da atividade da empresa e ser refeita continuamente.

“Para começar o empreendimento, é importante saber quem são os clientes, os fornecedores e os concorrentes. Depois, é preciso saber se o seu negócio está agradando ao consumidor e o que pode ser feito para seguir ganhando mercado”, diz.

Davi Bertoncello, diretor-executivo da agência de pesquisa e inteligência Hello Research, diz que esses levantamentos sobre o mercado estão ficando mais acessíveis para pequenos negócios. 

Para quem tem pouco caixa disponível, a internet é uma aliada. Pela rede dá para saber quem são seus concorrentes, os produtos que eles comercializam e seus canais de distribuição e divulgação. 

“Com as opções pela internet, pesquisas que custavam R$ 60 mil hoje saem por R$ 10 mil”, diz Bertoncello.

Outra alternativa é ir pessoalmente às lojas de seu segmento de atuação para conhecer as estratégias de quem já está no mercado.

Juliana Bueno em seu bar Boteco do Portal, na zona sul de São Paulo
Juliana Bueno em seu bar Boteco do Portal, na zona sul de São Paulo - Lucas Seixas/Folhapress

Mecate, do Sebrae, diz que o objetivo é levantar os pontos fracos e fortes dos concorrentes. Não podem faltar na pesquisa informações como preço, qualidade dos produtos, canais de distribuição, atendimento, variedade e estratégia de marketing das lojas.

Com isso, é possível mapear onde a sua empresa pode melhorar e quais as fraquezas dos rivais —pontos que o empresário pode divulgar como um diferencial de sua marca.

A análise não deve se restringir às empresas vizinhas. Uma loja em outra cidade, estado ou até país pode ser usada como referência.

Monitorar a concorrência ajudou Juliana Bueno, 40, a trazer novos serviços para seu bar Boteco do Portal, em São Paulo. Ela trabalhava no negócio e resolveu comprá-lo quando os donos o colocaram à venda, no ano passado. Quando assumiu, porém, um bar parecido abriu ao lado.

Para atrair fregueses, resolveu ir além do que o vizinho oferecia. Criou, por exemplo, uma noite com atividades para mulheres, com participação de taróloga e venda de roupas.

“Agora estamos criando o ‘boteco na sua casa’, porque percebemos que muitos clientes preferem receber os amigos em casa. Levamos todas as comidinhas e drinques do boteco para o cliente”, diz.

Segundo Fernando Massi, sócio-fundador da rede de serviços de ortodontia OrthoDontic, a ideia ao observar a concorrência não é copiar modelos de operação ou utilizar os mesmos parâmetros para tomadas de decisão.

“Observar a dinâmica do mercado serve de laboratório para avaliar a resposta do público a produtos, serviços, campanhas publicitárias e posicionamento de marca”, diz ele. Observar o mercado de forma macro é uma forma de se inspirar para inovar.

Além de ficar de olho nos concorrentes, especialistas dizem que é fundamental avaliar os indicadores econômicos para traçar as estratégias de curto, médio e longo prazo.

O empreendedor pode achar que as oscilações do câmbio podem não ter impacto no seu negócio porque ele é dono de uma padaria. Mas o trigo é cotado em dólar e, com a alta da moeda, o preço da farinha pode ir às alturas. 

O impacto nesse caso é direto, e o empreendedor precisa saber quais são as projeções para o câmbio para definir se é hora de comprar mais insumo ou esperar o preço cair.

“A taxa de juros tem impacto no parcelamento do cliente e também na negociação com fornecedores. Acompanhar a tendência para a taxa básica de juros ajuda a definir melhor suas estratégias”, diz Mecate, do Sebrae. 

É importante também saber como estão as projeções para desemprego —que tem relação direta com o consumo— e o que deve acontecer com o PIB (Produto Interno Bruto) e a inflação, indicadores que ajudam a definir se é hora de investir.

De olho nos números do mercado, Eduardo Militão, 38, percebeu que era hora de abrir a segunda unidade do seu estacionamento no Brás, o Militão Park. 

“No fim de ano aumenta o movimento de pessoas que vêm para o centro fazer compras e, com a expectativa de aquecimento da economia, a tendência é que o fluxo seja ainda maior. Temos que estar preparados para atender à demanda”, diz.

Para Militão, além do 13º salário, a liberação do FGTS e a redução, ainda que discreta, na taxa de desemprego são indicadores que os brasileiros devem voltar às compras. “Já percebemos um aumento no número de clientes nos últimos dias e a segunda unidade nos permite atender mais pessoas”, afirma.

“Fatores econômicos e sociais, como envelhecimento da população ou comportamento das pessoas, ajudam a definir o caminho que o empreendedor deve seguir”, acrescenta Ariadne Mecate.

Neste caso, os indicadores estão disponíveis na internet e são de fácil acesso. O mesmo não ocorre quando se fala em dados de mercados específicos. O dono da padaria terá que buscar informações sobre o seu público-alvo, consumo médio e projeções do segmento em entidades de classe. 

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