Veja os principais ditadores depostos na África e os que seguem no poder

Alguns países do continente são liderados há décadas pelos mesmos governantes

Bruno Benevides
São Paulo

Robert Mugabe, morto nesta sexta-feira (6), renunciou à Presidência do Zimbábue, em novembro de 2017 pondo fim a 37 anos de ditadura no país.

Com isso, ele se juntou a uma longa lista de líderes autoritários africanos que deixaram o poder, seja por meio de golpes, de assassinatos ou de revoltas populares.

Conheça abaixo alguns dos principais ditadores africanos depostos.


DITADORES AFRICANOS
Veja os principais líderes já depostos no continente

O ex-ditador Omar al-Bashir, dentro de cela durante seu julgamento por corrupção em Cartum - Mohamed Nureldin Abdallah - 31.ago.2019/Reuters

Omar al-Bashir - Sudão (1989-2019)
Comandou um golpe militar que derrubou o premiê eleito democraticamente Sadiq al-Mahd. É acusado de uma série de crimes contra a humanidade pelos massacres e estupros coletivos cometidos pelo Exército em Darfur, no sul do país. Ele foi forçado pelos militares a deixar o poder em abril de 2019.

Crédito: Pedro Ladeira - 16.jun.2014/Folhapress  O José Eduardo dos Santos, de Angola, durante visita ao Brasil em 2014
O José Eduardo dos Santos, de Angola, durante visita ao Brasil em 2014

José Eduardo dos Santos - Angola (1979-2017)
Assumiu o comando do país após a morte do presidente Agostinho Neto e implementou uma ditadura de tendência socialista enquanto o país passava por uma guerra civil que durou até 2002. Em setembro de 2017, passou o poder para seu indicado, João Lourenço.

Crédito: Jacky Naegelen - 30.abr.2008/Reuters
Zine El Abidine Ben Ali, o primeiro ditador derrubado pela Primavera Árabe

Zine El Abidine Ben Ali - Tunísia (1987-2011)
Chegou ao poder por meio de um golpe não-violento contra o então presidente Habib Bourguiba, de quem era primeiro ministro. Acusado de violações de direitos humanos, renunciou durante a Primavera Árabe, em 2011, e fugiu para a Arábia Saudita, onde vive até hoje.

Crédito: 1º.set.2009 - Xinhua/Imago/Fotoarena
O ex-ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, assiste a desfile militar em Trípoli, em 2009

Muammar Gaddafi - Líbia (1969-2011)
Governou a Líbia por 42 anos, após um sangrento golpe militar levá-lo ao poder em 1969. Implantou uma ditadura de ares socialistas e matou milhares de opositores. Foi assassinado por rebeldes em 2011, em meio à Primavera Árabe.

Crédito: Tarek el Gabbas - 26.abr.2014/Associated Press
O ex-ditador egípcio Hosni Mubarak em julgamento sobre sua ação ao reprimir manifestações no Cairo

Hosni Mubarak - Egito (1981-2011)
Era vice do presidente Anwar Sadat, assassinado em 1981. Assumiu o poder e implementou uma ditadura militar marcada pela corrupção e pela repressão aos opositores. Foi forçado a renunciar em 2011, em meio aos protestos da Primavera Árabe que tomaram o Cairo.

Crédito: Associated Press
O ex-ditador de Uganda, Idi Amin, um dos mais sanguinários da África

Idi Amin - Uganda (1971-1979)
Assumiu após um golpe militar e liderou a mais sangrenta ditadura do continente. Estima-se que os mortos por seu regime cheguem a 500 mil. Fugiu do país durante a guerra com a Tanzânia, buscou refúgio na Líbia e depois na Arábia Saudita, onde morreu em 2003.

Crédito: Michel Clément - 20.set.1982/AFP
O ex-ditador da Guiné, Sékou Touré, em foto de 1982

Sékou Touré - Guiné (1958-1984)
Primeiro presidente eleito da Guiné, em 1958, baniu todos os partidos políticos exceto o seu. Acusado de diversos casos de execuções extrajudiciais, morreu em 1984 após sofrer um ataque cardíaco.

Crédito: Carley Petesch - 30.mai.2016/Associated Press
O ex-ditador do Chade, Hissène Habré, durante julgamento em Dacar, no Senegal

Hissène Habré - Chade (1982-1990)
Depôs o recém-eleito presidente Oueddei em 1982 e liderou um regime acusado de matar 40 mil opositores e torturar 200 mil pessoas em oito anos. Foi deposto pelo seu ex-comandante das Forças Armadas, Idriss Déby, que governa o Chade até hoje.

Crédito: RIA Novosti
O ex-ditador da Guiné Equatorial, Francisco Macías Nguema

Francisco Macías Nguema - Guiné Equatorial (1968-1979)
Primeiro presidente do país, executou membros da própria família, ordenou a morte de vilarejos inteiros e proibiu que os cidadãos deixassem o país. Foi deposto pelo próprio sobrinho, Teodoro Obiang Nguema, que condenou o tio ao fuzilamento por genocídio.

Crédito: Issouf Sanogo/AFP
O ex-ditador nigeriano Sani Abacha durante fórum econômico em Abuja

Sani Abacha - Nigéria (1993-1998)
Chegou ao poder depois que a eleição de 1993 foi anulada. Derrubou a inflação e aumentou as reservas do país, mas violou direitos humanos e aprisionou grande parte dos opositores. Morreu em 1998 no palácio presidencial em circunstâncias não esclarecidas.


DITADORES ATUAIS
Os líderes autoritários que continuam no poder na África

Crédito: Rebecca Blackwell - 1º.jul.2011/Associated Press
O ditador da Guiné Equatorial Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (centro)

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo - Guiné Equatorial (desde 1979)
Derrubou o próprio tio, o ditador Francisco Macías Nguema, e implementou uma ditadura de partido único com um culto à própria personalidade; já indicou um filho como sucessor, mas diz não ter planos para deixar o poder.

Crédito: Wang Ying - 22.set.2017/Xinhua
O ditador de Camarões Paul Biya durante discurso na ONU

Paul Biya - Camarões (desde 1982)
Após substituir Ahmadou Ahidjo, seu aliado, como presidente, sofreu uma tentativa de golpe em 1984 que o fez aumentar a repressão contra a oposição e implementar uma ditadura que permanece até hoje.

Crédito: Thomas Mukoya - 18.fev.2011/Reuters
O ditador de Uganda Yoweri Museveni em foto de 2011

Yoweri Museveni - Uganda (desde 1986)
Virou presidente após participar de uma rebelião contra o então ditador Milton Obote.No início, chegou a tomar medidas de caráter democrático, mas desde 2005 fez reformas para consolidar o poder e reprimir a oposição.

 
Crédito: Chen Yichen - 28.ago.2017/Xinhua
Idriss Déby, ditador do Chade, durante conferência em Paris, na França

Idriss Déby - Chade (desde 1990)
Com apoio da Líbia de Muammar Gaddafi, comandou uma campanha militar que derrubou o então ditador Hissène Habré e implementou um regime autoritário, com eleições consideradas fraudulentas pela comunidade internacional.

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