Morre Robert Mugabe, ditador do Zimbábue por 37 anos

Ele esteve no poder de 1980 até 2017, quando deixou o comando pressionado por militares

Singapura | Reuters

O ex-ditador do Zimbábue Robert Mugabe morreu aos 95 anos nesta sexta-feira (6) em Singapura, onde passava por tratamento médico.

O atual presidente do país africano, Emmerson Mnangagwa, comunicou a morte, mas não informou a causa do óbito. 

Mugabe comandou o Zimbábue de 1980 até novembro de 2017, quando saiu do posto sob ameaça de golpe das Forças Armadas. 

Após a morte, ele foi declarado herói nacional do país por Mnangagwa, que o sucedeu. Mugabe era um "notável homem de Estado do nosso século", nas palavras do mandatário. 

O país está em luto nacional até que o corpo seja enterrado.

Robert Mugabe discursa em novembro de 2017, antes de deixar o poder no Zimbábue
Robert Mugabe discursa em novembro de 2017, antes de deixar o poder no Zimbábue - Jekesai Njikizana/AFP

Durante as quase quatro décadas no poder, foi denunciado no próprio país e no exterior como um autocrata obcecado pelo poder, disposto a desencadear esquadrões da morte, fraudar eleições e destruir a economia na incansável busca por controle.

Sua queda em 2017 provocou celebrações intensas no país de 13 milhões de habitantes. Para Mugabe, a deposição foi um ato de traição "inconstitucional e humilhante" por parte de seu partido e do povo.

Dividido nos últimos anos de sua vida entre Singapura e Harare, capital do Zimbábue, onde fica sua imensa mansão apelidada de "Telhado Azul", um Mugabe enfermo apenas observou de longe a política do país.

Na véspera da eleição de julho de 2018, a primeira sem ele, disse a repórteres que votaria na oposição, algo impensável alguns meses antes.

Educado e urbano, Mugabe assumiu o poder em 1980, após sete anos de uma guerra de libertação e –até a tomada do Exército– era o único líder que o Zimbábue, anteriormente Rodésia, conhecia desde a independência da Grã-Bretanha.

Mas como a economia implodiu a partir de 2000 e seu estado de saúde se deteriorou, Mugabe perdeu cada vez mais pessoas do seu círculo de confiança.

Outro motivo que o enfraqueceu foi a aparente intenção de abrir caminho para ser sucedido pela esposa, Grace, quatro décadas mais nova e conhecida por seus críticos como "Gucci Grace" devido ao gosto por compras de luxo.

O país atingiu o fundo do poço em 2008, quando uma inflação na casa dos bilhões levou a população a apoiar o ex-líder sindical Morgan Tsvangirai.

Enfrentando a derrota em um segundo turno presidencial, Mugabe recorreu à violência, forçando Tsvangirai a se retirar da disputa depois que dezenas de seus apoiadores foram mortos.

Em julho de 2018,  na primeira eleição no país em quase 40 anos sem o nome de Mugabe nas urnas, Emmerson Mnangagwa, 75, foi eleito.

Antigo aliado do ditador, ele dirigiu órgãos de inteligência e ocupava o cargo de vice-presidente até poucas semanas antes de Mugabe sair do poder. 

Foi a retirada de Mnangagwa da vice-presidência que levou militares a agirem, derrubando o ditador em novembro de 2017. 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.