Trump sugere armar professores para evitar massacres em escolas

Ao receber vítimas, líder foi cobrado por segurança e controle na venda de fuzis


O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe estudantes da escola Marjory Stoneman Douglas, onde 17 pessoas morreram no ataque a tiros
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe estudantes da escola Marjory Stoneman Douglas, onde 17 pessoas morreram no ataque a tiros - Jonathan Ernst /Reuters
 
Estelita Hass Carazzai
Washington

Em reunião com vítimas de ataques a tiros em escolas, o presidente dos EUA, Donald Trump, levantou a possibilidade de que professores portem armas na sala de aula, como uma forma de prevenir novos ataques e acelerar a reação contra atiradores.

"Se um professor tivesse uma arma [na escola da Flórida, atacada na semana passada], ele não teria corrido; ele teria atirado e seria o fim de tudo isso", afirmou o republicano, nesta quarta (21).

Ele criticou o fato de as escolas americanas serem atualmente uma "zona livre de armas". "Para maníacos, isso significa: 'Vamos entrar e atacar, porque nenhum tiro será disparado contra nós'."

Trump admitiu que a medida é "controversa", mas disse que está entre as soluções que estão sendo debatidas para evitar novos massacres.

Alguns pais e alunos apoiaram a proposta, e disseram que ela diminui o tempo de reação a um ataque --atualmente, a polícia leva entre cinco e oito minutos para chegar ao local do crime.

"Não dá para esperar tudo isso; há vidas em jogo", afirmou Frederick Abt, pai de uma aluna da Marjory Stoneman Douglas, onde 17 pessoas foram mortas na semana passada por um ex-aluno armado com um fuzil AR-15.

Mas a maioria se posicionou contrariamente, e argumentou que os professores não estão preparados para reagir a esse tipo de incidente.

"Eles já têm responsabilidades suficientes; carregar uma arma para tirar uma vida não deveria ser uma delas", disse Mark Barden, pai de uma das 26 pessoas mortas na escola Sandy Hook, em Connecticut, em 2012. Ele foi aplaudido pelos presentes.

Cerca de 50 pessoas foram à reunião, incluindo sobreviventes do massacre na Flórida e pais de vítimas de chacinas passadas, como a de Columbine, em 1999.

Boa parte criticou a falta de segurança nas escolas e a legalidade da venda de armas semiautomáticas, como o AR-15 comprado por Nikolas Cruz aos 18 anos em uma loja e que usou na escola da Flórida.

"Essa não é uma arma de autodefesa; é uma arma de guerra", afirmou Samuel Zeif, 18, sobrevivente do massacre em Marjory Stoneman Douglas e que perdeu o melhor amigo na tragédia.

"Eu não posso entrar com uma garrafa de água em um avião, mas um animal como esse pode invadir uma escola?", questionou Andrew Pollack, cuja filha morreu.

Trump ouviu o grupo por cerca de uma hora. Ao final, prometeu aprimorar o sistema de checagem de antecedentes, debater o limite mínimo de idade para comprar uma arma, aprimorar a segurança nas escolas e investir no tratamento de saúde mental para estudantes.

PROTESTOS

Na Flórida, centenas de estudantes continuaram a protestar nesta quarta (21) pelo controle de armas. Cerca de cem foram à capital do Estado, Tallahassee, para pedir o fim da venda de fuzis.

Apesar da mobilização, a Assembleia Legislativa estadual, de maioria republicana, rejeitou na terça (20) projeto de lei proibindo a venda de armas longas.

Nesta quarta (21), a polícia do condado de Broward, onde aconteceu o ataque da semana passada, também anunciou que policiais locais passarão a carregar armamento, inclusive fuzis, enquanto estiverem em escolas.

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