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Candidato da Farc à Presidência da Colômbia desiste da disputa

Principal líder da guerrilha, Timochenko disse ter desistido por problemas de saúde

Bogotá

Farc (Força Alternativa Revolucionária do Comum), partido político da ex-guerrilha com mesma sigla, anunciou nesta quinta-feira (8) que seu líder, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, desistiu de disputar a Presidência da Colômbia.

A sigla também informou que não terá candidato para a eleição de 27 de maio, mas não anunciou apoio a nenhum dos presidenciáveis remanescentes. Porém, manteve as candidaturas para o Congresso, cuja composição será definida em votação no próximo domingo (11).

Rodrigo Londoño , conhecido como Timochenko, durante o lançamento de sua candidatura em Bogotá em janeiro
Rodrigo Londoño , conhecido como Timochenko, durante o lançamento de sua candidatura em Bogotá em janeiro - 27.jan.2018/Jhon Paz/Xinhua

O anúncio é feito um dia depois que Timochenko passou por uma cirurgia no coração em um hospital de Bogotá. O procedimento foi feito uma semana após ele ter sido internado com dores no peito e passar mal em um evento de campanha.

O estado de saúde de seu líder é elencado pela Farc como um dos motivos para a desistência. O outro foram os protestos e ataques violentos contra seus militantes em comícios, que os fizeram suspender os eventos públicos de campanha em fevereiro.

"Fomos obrigados a suspender temporariamente a campanha pela ausência de garantias e, particularmente, pelos ataques a nosso candidato presidencial, instigados por setores do Centro Democrático, que ameaçaram sua integridade e levaram a pensar que poderia se estar armando um magnicídio."

O partido direitista Centro Democrático é liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que é contra o acordo de paz. Segundo colocado nas pesquisas, o candidato da agremiação, Iván Duque, afirma que, se eleito, reverterá parte do acordo assinado pelo presidente Juan Manuel Santos com a ex-guerrilha.

O primeiro ataque ocorreu em 2 de fevereiro, em Armenia (a 290 km de Bogotá). Centenas de pessoas cercaram os ex-guerrilheiros chamando-os de assassinos e queimaram uma bandeira.

Em outras ocasiões Timochenko foi alvo de tomates e ovos. A nova sigla é vista com desconfiança e tem poucas chances eleitorais. 

Timochenko aparecia com menos de 1% dos votos na disputa presidencial e nenhum candidato legislativo do grupo deve conseguir se eleger diretamente.

Assim, a sigla deverá ter direito apenas as dez vagas reservadas a ela no Congresso pelo acordo de paz. 

VIOLÊNCIA

A violência política também atingiu o ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro, líder nas pesquisas para a Presidência. Ex-membro da guerrilha M-19, que se desmobilizou na década de 1990, o centro-esquerdista foi atacado em Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, no dia 2.

Manifestantes cercaram e atiraram pedras contra seu carro. Ele acusou o prefeito da cidade, Ramiro Suárez Corzo, de ser o mandante do ataque. Membro do Movimento Colombia Viva, que apoia o Centro Democrático, Suárez foi investigado por pertencer a grupos paramilitares de extrema-direita.

Reuters
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