Saiba mais sobre os agentes neurotóxicos Novitchok

Desenvolvido na União Soviética nos anos 70 e 80, são os mais letais já feitos

Investigadores com roupas protetoras retiram van de local em Winterslow, Wiltshire, como parte de investigação do envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e sua filha, Iulia - Andrew Matthews/Associated Press
São Paulo

O Novitchok —agente identificado pelas autoridades britânicas no envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, Iulia— é uma série de substâncias tóxicas desenvolvidas pela União Soviética nos anos 1970 e 1980.

Supostamente, são os mais letais agentes neurotóxicos jamais feitos. Algumas variantes são de cinco a oito vezes mais potentes que o VX -- substância usada para matar Kim Jong-nam, meio-irmão do ditador norte-coreano, Kim Jong-un, na Malásia.

Em artigo publicado em 1992, o cientista russo Vil Mirzayanov informa muito do que se sabe sobre o Novitchok —ele chegou a ser preso sob a acusação de ter revelado segredos de Estado, mas solto depois. Ele vive nos EUA hoje.

Essas substâncias foram desenvolvidas para serem indetectáveis pelos equipamentos de detecção padrão e para ultrapassar as roupas de proteção tradicionais.

O Novitchok aparece em forma de um pó muito fino, em vez de gás ou vapor. A contaminação se dá por inalação, embora a absorção pela pele ou por membranas mucosas também seja possível.

Sua ação é rápida, levando entre 30 segundos e 2 minutos para fazer efeito.

Ele inibe a enzima colinesterase, provocando a contração involuntária de todos os músculos, o que leva a uma falência cardíaca e respiratória. A morte é por insuficiência cardíaca ou por sufocamento, já que abundantes quantidades de secreções enchem os pulmões das vítimas.

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