Trump diz que países da Otan vão aumentar gastos, mas aliados não confirmam

Rumores de que o americano teria ameaçado deixar a aliança geraram novas tensões entre aliados

Trump fala em frente a duas bandeiras dos Estados Unidos
Donald Trump discursa após encontro da OTAN em Bruxelas, nesta quinta-feira (12) - Geert Vanden Wijngaert/Associated Press
Diogo Bercito
Madri

Um dia depois de causar um considerável mal-estar em uma cúpula em Bruxelas, Donald Trump voltou a tensionar as relações com os seus aliados europeus durante a manhã desta quinta-feira (12).

Circularam rumores –não confirmados– de que ele ameaçou abandonar a Otan, a aliança militar ocidental, caso não fosse atendido em suas exigências de que a União Europeia investisse mais em sua defesa.

Após as repetidas reclamações feitas por Trump em uma reunião a portas fechadas, a liderança da Otan convocou um encontro de emergência para discutir a crise, segundo os relatos.

À frente, da esq., o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, Donald Trump e a britânica Theresa May; no 2º degrau, a alemã Angela Merkel, o grego Alexis Tsipras, o húngaro Viktor Orban e a islandesa Katrín Jakobsdóttir; ao fundo, o polonês Andrzej Duda, o português Antonio Costa e o romeno Klaus Iohannis
À frente, da esq., o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, Donald Trump e a britânica Theresa May; no 2º degrau, a alemã Angela Merkel, o grego Alexis Tsipras, o húngaro Viktor Orban e a islandesa Katrín Jakobsdóttir; ao fundo, o polonês Andrzej Duda, o português Antonio Costa e o romeno Klaus Iohannis - Yves Herman/Reuters

Na saída das conversas, Trump descreveu o episódio a jornalistas como uma vitória pessoal. “Eu disse que ficaria bastante infeliz se eles não se comprometessem mais”, afirmou, sobre os gastos de defesa.

O presidente americano afirmou à imprensa que os aliados na Otan concordaram em acelerar seus investimentos. Outras delegações, no entanto, negaram ter feito qualquer promessa nesse sentido. A chanceler alemã, Angela Merkel, apenas classificou as conversas como “intensas”.

Os Estados Unidos tradicionalmente pedem que os aliados europeus incrementem seu investimento em defesa e cheguem até um patamar mínimo de 2% do PIB. A Alemanha hoje só gasta 1,2%.

Mas nesta quarta (11) Trump passou a sugerir –inesperadamente– que o investimento chegue a 4%. Diplomatas presentes nos encontros, ouvidos pelas agências de notícias, dizem que ele que também exige que essas metas sejam cumpridas rapidamente: 2% até o fim do ano e 4% até 2024.

Esses aumentos nos gastos de defesa, no entanto, são considerados inviáveis pelos governos europeus. Em primeiro lugar por limitações econômicas, mas também pela resistência dos eleitores. Mesmo os EUA gastam hoje apenas 3,5% do PIB, ou seja, menos do que a nova meta de seu governo.

Se Trump de fato ameaçar publicamente deixar a Otan, uma organização voltada principalmente a conter os avanços da Rússia, será uma péssima notícia para a União Europeia e demais aliados. O Otan tem hoje 29 membros.

O Otan tem hoje 29 membros e, pelas regras de seu tratado, estipula que os países se defendam no caso de uma agressão externa.

A situação é agravada pelo fato de que, na segunda (16), o presidente americano se reúne na Finlândia com sua contraparte russa, Vladimir Putin –que provavelmente celebra as notícias de Bruxelas.

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