Descrição de chapéu Governo Trump

Juiz dá 72 horas para EUA reunirem 2 menores brasileiros aos pais em Chicago

Pais de criança de nove anos e adolescente de 16 foram separados na fronteira com o México em maio

Grupo de cem manifestantes carrega cartazes. Os dois à frente trazem as mensagens "Salvem as crianças" e "Prendam os nazistas. Libertem as crianças", com desenhos de Trump e do secretário de Justiça, Jeff Sessions.
Manifestantes protestam contra política de tolerância zero migratória de Donald Trump em Nova York - Eduardo Muñoz Álvarez - 30.jun.18/AFP
Danielle Brant
Nova York

Um juiz da corte federal em Chicago emitiu, na última segunda-feira (9), ordem em que dá 72 horas para o governo americano reunir dois menores brasileiros a seus pais.

A decisão é a mais recente envolvendo crianças brasileiras detidas em abrigos de Chicago depois de serem separadas de seus pais. 

Na decisão de segunda, o juiz Edmond Chang afirma que a “insistência” do governo em manter pais e filhos separados era “chocante para a consciência” e “arbitrária”.

No documento, de 31 páginas, ele diz que os meninos, de 9 e 16 anos e identificados pelas iniciais C.D.A. e W.S.R., respectivamente, estão sofrendo dano mental “irreparável”.

Os pais de ambos estão detidos desde maio no Novo México, para onde foram enviados após serem flagrados tentando cruzar a fronteira entre Estados Unidos e México. 

Segundo o jornal Chicago Tribune, eles não estavam com as crianças ao tentar entrar nos EUA. Ambos buscavam asilo no país, citando ameaças de violência de traficantes de drogas no Brasil.

Os dois foram processados por tentar entrar ilegalmente nos EUA, e, de acordo com a ordem do juiz, receberam a informação de que, em cinco dias, seriam reunidos com seus filhos, o que não aconteceu.

Em sua decisão, Chang proíbe o governo americano de deportar os pais sem os filhos. Na decisão, ele diz que o governo interferiu no direito dos meninos de serem reunidos a seus pais. 

“O governo forçosamente separou (os meninos) de seus respectivos pais e agora está mantendo os meninos em um abrigo mais de mil milhas (cerca de 1.600 quilômetros) distante dos pais”, escreve.

O juiz cita a piora do estado mental dos menores durante a detenção, afirmando que relatório de psicólogos indica que ambos sofriam de ansiedade severa e depressão, e que começaram a se machucar e também a ferir outras crianças.

Os dois meninos estão no abrigo Heartland Alliance, o mesmo aonde foram levados Diogo, 9, e Diego, 10, filhos das brasileiras Lídia Karine Souza, 27, e Sirlei Silveira, 30.

Os dois meninos ficaram mais de um mês sem ver as mães, acusadas de tentar ilegalmente nos Estados Unidos. 

Nesta terça-feira, terminava o prazo dado por um juiz de San Diego, no sul do estado da Califórnia, para que a administração de Donald Trump reunisse pais e filhos menores de 5 anos. 

O mesmo juiz estabeleceu que o governo tem até 26 de julho para reunir todos os pais e filhos imigrantes separados como resultado da política de tolerância zero do governo americano.

Na quinta-feira passada (5), o governo americano pediu mais prazo para reunir os menores, alegando necessidade de checar o parentesco através de testes de DNA e também que precisa confirmar que todas as crianças estão seguras.

Nesta terça (10), o governo informou que pelo menos 12 pais imigrantes foram deportados dos EUA sem os filhos, que permanecem em abrigos americanos.

O serviço de Saúde e Serviços Humanos estima que menos de 3.000 menores estejam sob sua custódia. As crianças estão em abrigos espalhados pelos Estados Unidos.

A política de tolerância zero foi anunciada em abril pelo secretário de Justiça, Jeff Sessions, que determinou que todos os que atravessam ilegalmente a fronteira com o México deveriam ser denunciados e cumprir pena em prisões federais.

Seis semanas após a ordem ser emitida, 1.995 crianças haviam sido separadas dos pais, segundo dados da secretaria de Segurança Doméstica.

A comoção internacional provocada pela medida fez com que o presidente Donald Trump recuasse e assinasse, em 20 de junho, uma ordem executiva (espécie de decreto) para manter as famílias unidas.

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