Trump diz que não fará acordo para regularizar imigrantes ilegais

Americano justificou a medida dizendo que a fronteira com o México está cada dia mais perigosa 

Washington | Reuters

O presidente americano Donald Trump disse neste domingo (1º) que a fronteira dos Estados Unidos com o México está cada dia mais perigosa e que, por isso, não fará nenhum acordo para legalizar os "dreamers" (sonhadores), os imigrantes que chegaram ainda criança ao país.

As afirmações de Trump foram divulgadas por ele mesmo nas redes sociais, logo após desejar uma feliz Páscoa aos americanos. "Agentes da Patrulha de Fronteira não têm permissão para fazer o trabalho corretamente na fronteira por causa de ridículas leis leis liberais (democratas) como a "Catch and Release" disse ele, se referindo a regra pela qual um imigrante ilegal aguarda seu julgamento em liberdade.  

De acordo com Trump, as fronteiras estão "ficando mais perigosas. ‘Caravanas’ [de imigrantes] estão chegando".

Donald Trump em San Diego em frente a um protótipo do muro que ele quer construir na fronteira com o México
Donald Trump em San Diego em frente a um protótipo do muro que ele quer construir na fronteira com o México - Mandel Ngan - 13.mar.2018/AFP

Ele defendeu que os republicanos aprovem novas leis mais duras usando a chamada "opção nuclear", uma manobra legislativa no Senado que permite aprovar um projeto maioria simples —em geral, são necessários 60 dos cem votos da casa para acabar com uma obstrução. 

Assim, o presidente americano disse que não fará um acordo para renovar o Daca, programa criado em 2012 pelo ex-presidente democrata Barack Obama. A regra permitia que imigrantes que chegaram ilegalmente aos EUA quando ainda eram criança —os "dreamers"— recebessem autorização para viver e trabalhar no país, sem risco de deportação. 

Trump cancelou o programa, mas a medida foi barrada na Justiça e os imigrantes não foram deportados. 

O presidente já tinha declarado por diversas vezes que estava aberto a negociar um acordo com os democratas para permitir que os "dreamers" continuassem a viver no país, mas em troca ele queria que a oposição autorizasse a liberação da verba para a construção de um muro na fronteira com o México, uma de suas promessas de campanha.

As declarações deste domingo, porém, indicam que Trump mudou de ideia e não quer mais um acordo. 

No fim de março, Trump chegou a ameaçar vetar um projeto de orçamento aprovado pelo Congresso exatamente porque o documento não tratava nem do Daca e nem do muro. No fim, porém, ele acabou assinando a lei. 

Enquanto passava o feriado de Páscoa em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, Trump disse a jornalistas que "o México precisa nos ajudar na fronteira".

Neste domingo, ele disse nas redes sociais que o governo mexicano estaria fazendo "muito pouco, se não nada", para impedir o fluxo de pessoas através da fronteira e, por isso, ameaçou também cancelar o Nafta, (o acordo de livre comércio da América do Norte), que atualmente está sendo renegociado com o México e o Canadá. 

"Eles riem de nossas leis de imigração burras. Eles devem parar os grande fluxos de drogas e pessoas ou eu vou deter sua fonte de dinheiro, o Nafta. Precisamos do muro", escreveu Trump. 

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