Em atrito com Macri, papa Francisco se engaja em debate sobre aborto

Igreja eleva críticas ao projeto de lei que descriminaliza prática na Argentina

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, durante visita ao papa Francisco no Vaticano
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, durante visita ao papa Francisco no Vaticano - 27.fev.16/AFP
Sylvia Colombo
Buenos Aires

“No século passado, todos estavam escandalizados pelo que faziam os nazistas para cuidar da pureza da raça. Hoje se defende fazer o mesmo, mas com luvas brancas.”

Depois que o papa Francisco disse isso, a Igreja Católica, que já havia se posicionado contra o aborto, elevou o nível das críticas ao projeto de lei que se vota no dia 8.

O papa e o presidente da Argentina, Mauricio Macri, estão em fricção política desde que este assumiu a Presidência. Francisco declarara seu apoio, na eleição de 2015, ao peronismo, representado por Daniel Scioli. Depois de eleito, Macri visitou o pontífice duas vezes, tentando estreitar relações, mas foi recebido de modo frio e distante. 

O estímulo do presidente para que o Congresso debatesse a Lei do Aborto afastou ambos ainda mais.

Francisco já visitou vários países da América do Sul (Brasil, Equador, Paraguai, Peru, Chile, Colômbia, Bolívia e México), mas vem evitando seu país natal, muitos creem que seria para evitar um encontro com Macri que poderia ser capitalizado politicamente.

A igreja argentina planeja realizar, no próprio dia 8, uma “Missa pela Vida”, que ocorrerá na Catedral de Buenos Aires às 20h, justamente no momento em que os senadores estarão debatendo o projeto e estão programados atos dos ativistas pró e contra a medida.

A cerimônia será presidida pelo arcebispo de Buenos Aires, cardeal Mario Poli, e estarão presentes sacerdotes de destaque de várias províncias do país.

Os religiosos também vêm estimulando os fiéis a realizar atos, orações e jejuns pela campanha #ValeTodaVida.

Há três semanas, na famosa Basílica de Luján, lugar de peregrinação dos católicos argentinos, o bispo Oscar Ojea disse que, se a lei for aprovada “será a primeira vez que se ditará, na Argentina, em tempos de democracia, uma lei que legitima a eliminação de um ser humano por outro ser humano”. 

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