Lei que define Israel como judeu não prejudica minorias, diz ministro

Para Yoav Gallant, membro do gabinete de segurança, grupos protestam por ganhos políticos

O ministro da Habitação e Construção israelense, Yoav Galant
O ministro da Habitação e da Construção israelense, Yoav Gallant - Divulgação
Carolina Vila-Nova
São Paulo

A nova lei que define oficialmente Israel como um Estado judeu não prejudica em nada as minorias que moram no país, e protestos desses grupos têm apenas objetivo de obter ganhos políticos, afirmou o ministro israelense de Habitação e Construção, Yoav Gallant.

Majoritariamente judaico, Israel tem cerca de dois milhões de árabes muçulmanos, de um total de 8 milhões de habitantes, e outros 180 mil drusos, que se aliaram na rejeição à chamada Lei de Nacionalidade, ou oficialmente, Lei Básica: Israel como Estado-nação do povo judeu.

Para eles, a legislação é discriminatória ao não garantir igualdade entre judeus e os demais povos.

Mas Gallant, que também é membro do gabinete de segurança do governo do premiê Binyamin Netanyahu, discorda. Para ele, a lei apenas formaliza algo que já estava expresso na declaração de independência de Israel, de 70 anos.

“Quanto à identidade nacional, há apenas uma, e é a judaica. Isso não significa que estejamos tirando quaisquer direitos de ninguém como cidadão de Israel. Toleramos todas as minorias e tratamos igualmente toda pessoa”, disse Gallant nesta segunda-feira (13), em São Paulo.

“Houve um pouco de barulho dentro de Israel, por elementos políticos com o objetivo de obter ganhos desse evento. Mas se você olhar de maneira objetiva e transparente, nada foi tirado de ninguém ao ser criada essa lei”, disse. 

“Política é política. Eles acham que vão obter algum apoio contra o governo. Mas isso é uma democracia, eles podem protestar. Se não houver violência, tudo é permitido.”

Outro ponto polêmico da lei é que ela considera “o desenvolvimento das colônicas judaicas de interesse nacional” e diz que o Estado “adotará as medidas necessárias para promover, avançar e servir a este interesse”.

Em projeto aprovado neste ano, palestinos perderam ainda acesso à Suprema Corte em caso de disputas de terra. 

 

Relatório da ONG oposicionista Peace Now com base em dados do governo israelense obtidos por meio de lei de acesso à informação apontou que 99,7% das terras alocadas na Cisjordânia em 2017 foram destinadas a judeus, contra 0,24% alocadas a palestinos.

Além disso, 78% das novas construções no ano passado ocorreram em assentamentos judaicos para além da Linha Verde, ou seja, a fronteira do Estado de Israel até 1967. Construções desse tipo cresceram 17% em relação ao ano anterior, segundo a ONG.

“Os assentamentos não são o problema. Não são um obstáculo para a paz”, afirmou.

“Israel já mostrou várias vezes que quer paz. Nós saímos do Sinai [onde havia assentamentos judaicos; em 1982] e fizemos a paz com o Egito. Não haverá nenhum problema se houver um acordo com o lado palestino de que o Estado judeu é fato que eles não podem ignorar.”

E acrescentou: “O problema é que os palestinos querem uma solução de um Estado e isso não podemos aceitar”.

Os assentamentos judaicos são comunidades civis estabelecidas nos territórios ocupados por Israel. Até 2014, mais de 400 mil israelenses viviam nessas comunidades apenas na Cisjordânia, sem contar com Jerusalém Oriental

Questionado sobre suas perspectivas de paz, o ministro disse: “Se eu olho para o futuro muito distante, sou muito otimista. Se eu olho para os próximos anos ou o próximo mês, sou muito pessimista. Esse comportamento me guiou a vida toda: pense positivamente, mas se prepare para o pior cenário”.

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