Monge budista é investigado por má conduta sexual na China

Shi Xuecheng, abade do templo de Longquan, teria forçado monjas a fazer sexo; ele nega

Xuecheng, abade do templo de Longquan, em Pequim - Jason Lee - 3.mar.17/Reuters
Pequim | Associated Press e Reuters

Um dos monges budistas mais importantes da China está enfrentando uma investigação por parte do governo por acusações de má conduta sexual, em um sinal de que o movimento #MeToo esteja ganhando terreno no país asiático apesar da censura oficial.

O abade Shi Xuecheng, do mosteiro de Longquan, é acusado de assediar e exigir favores sexuais de inúmeras monjas em um documento de 95 páginas compilado por dois membros do templo histórico de Pequim. O testemunho das supostas vítimas vazou nesta semana nas redes sociais, levando o tema a ganhar grande cobertura pela imprensa chinesa.

A Administração Estatal de Assuntos Religiosos da China disse nesta quinta (3) que as denúncias vão ser investigadas. Xuecheng e o templo negam as acusações. 

O diácono Shi Xinagi e o monge Shi Xianjia, que denunciaram o abade, foram expulsos do templo e agora cooperam com a investigação do governo. 

Xuecheng, que presidente a Associação Budista da China e atua no órgão de assessoramento político do governo central, é o mais recente a ser investigado enquanto o movimento #MeToo parece ganhar força no país. Professores universitários, ativistas e membros da imprensa foram acusados online e colocados sob investigação. 

Xuecheng, 51, é uma figura religiosa conhecida na China, tendo publicado vários livros e posts diários em seu blog. A China tem cerca de 250 milhões de budistas. 

Nascido como Fu Ruilin na província de Fujian, o carismático monge é famoso por ter revitalizado o milenar mosteiro de Longquan, em Pequim, que hoje atrai universitários de elite e empresários do ramo da tecnologia. Recentemente, o templo permitiu que seus monges estudassem com ajuda de iPads e construiu um monge-robô em tamanho miniatura para responder perguntas sobre budismo.

Os documentos reúnem mensagens de conteúdo explícito supostamente enviadas pelo monge e relatos de mulheres segundo os quais ele as forçou a fazer sexo, além de extratos financeiros que sugerem que ele desviou quase US$ 1,5 milhão (R$ 5,6 milhões).

Segundo os relatos,  Xuecheng alegava às monjas que elas seriam "purificadas" por meio do contato físico e que sexo era parte de seus estudos da doutrina religiosa.

"Os monges são controlados há muito tempo para ter condições de fazer uma autolimpeza e uma autodisciplina. Fizemos isso para impedir que mais bhikkhuni [monjas] fossem feridas, então pedimos ajuda ao governo", disse Xianqi,

Na quarta-feira, Xuecheng divulgou uma nota sob o nome do mosteiro em que denunciou os documentos como "materiais forjados, fatos distorcidos e acusações falsas". Como é regra entre monges budistas, Xuecheng fez voto de celibato ao entrar na vida monástica.

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