Descrição de chapéu Governo Trump

Ex-chefe de campanha de Trump vai cooperar com investigação sobre a Rússia

Pelo acordo, Paul Manafort vai se declarar culpado de duas entre sete acusações

Júlia Zaremba
Washington

O ex-chefe de campanha do presidente Donald Trump, Paul Manafort, decidiu nesta sexta (14) cooperar com a equipe do procurador especial Robert Mueller, que investiga as relações entre o pleito de 2016 e a Rússia.

A decisão representa um revés para Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro e poderia aumentar as chances de um impeachment, dependendo do que for revelado.

A juíza Amy Jackson afirmou que Manafort aceitou conceder entrevistas, com o advogado presente, e fornecer textos e documentos para autoridades, segundo a Reuters. Ele também teria concordado em testemunhar perante qualquer grande júri e em qualquer julgamento.

O ex-chefe de campanha de Donald Trump, Paul Manafort, chega em tribunal em junho
O ex-chefe de campanha de Donald Trump, Paul Manafort, chega a tribunal em junho - Jonathan Erns - 15.hun.18/Reuters

Manafort poderia falar sobre questões como o conluio entre a campanha do republicano e Moscou. Junto do filho mais velho e do genro de Trump, ele esteve presente na reunião realizada em junho de 2016 na Trump Tower com uma advogada russa que teria em mãos informações comprometedoras sobre Hillary Clinton que poderiam influenciar as eleições.

Como parte do acordo com Mueller, Manafort se declarou culpado de duas acusações de conspiração —contra os Estados Unidos e para obstruir a Justiça— durante audiência na Corte Distrital do Distrito de Colúmbia, realizada nesta manhã. Os investigadores do caso derrubaram cinco das sete acusações pendentes contra ele.

Segundo documentos da corte, o governo poderá apreender quatro das casas de Manafort em Nova York e Virgínia, assim como dinheiro de contas bancárias.

O ex-chefe de campanha ainda não foi condenado. Por ora, continuará na cadeia, onde está desde junho, após ter sido acusado de tentar interferir no depoimento de duas testemunhas ligadas ao seu caso. O acordo diz que ele pode pegar até dez anos de prisão por esses dois crimes, pena que pode ser reduzida.

Além dele, outros quatro assessores de Trump já se declararam culpados de acusações ligadas à investigação de Mueller: Michael Cohen, ex-advogado do presidente, Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional, Rick Gates, ex-vice presidente da campanha do republicano e George Papadopoulos, ex-conselheiro de campanha.

O advogado de Manafort, Kevin Downing, afirmou após a audiência que "ele queria garantir que sua família permanecesse segura e vivesse uma boa vida". "Ele aceitou a responsabilidade", disse.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou que a decisão não "tem absolutamente nada a ver com o presidente ou com a sua campanha presidencial vitoriosa de 2016". O advogado do presidente, Rudolph Giuliani, por sua vez, afirmou que "o presidente não fez nada de errado e Paul Manafort vai dizer a verdade."

Trump chegou a elogiar o ex-chefe de campanha no mês passado, quando ainda não havia aceitado um acordo com os procuradores

"Ao contrário de Michael Cohen, ele se recusou a 'quebrar' —inventar histórias para conseguir um acordo. Muito respeito por um homem corajoso!", escreveu Trump em uma rede social, referindo-se ao seu ex-advogado, que firmou acordo com Mueller.

No mês passado, após um julgamento em uma corte federal na Virgínia, Manafort foi considerado culpado em oito acusações de fraude. Ele deve ser condenado a, no mínimo, dez anos de cadeia.

 
Erramos: o texto foi alterado

Em versão anterior desta reportagem, o ex-chefe de campanha de Trump Paul Manafort havia sido identificado como Robert Manafort. O texto foi corrigido. 

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