Descrição de chapéu Deutsche Welle

França prende ativistas veganos por ataques a açougues e lanchonetes

Estabelecimentos como McDonald's foram vandalizados; açougueiros pediram proteção policial

Seis pessoas foram detidas no norte da França nesta semana após uma série de ataques realizados por ativistas dos direitos dos animais contra lojas e restaurantes que vendem carne, peixe e outros produtos de origem animal, informaram autoridades francesas nesta quarta-feira (12).

Ativistas deitados no chão sobre figuras de animais protestam em Paris contra o consumo de produtos de origem animal no Dia Mundial do Veganismo, 1º de novembro de 2017
Ativistas protestam em Paris contra o consumo de produtos de origem animal no Dia Mundial do Veganismo, 1º de novembro de 2017 - Christian Hartmann/Reuters

Entre maio e agosto, ao menos nove estabelecimentos na cidade de Lille e arredores, incluindo uma loja de queijos e um McDonald's, foram vandalizados, tiveram suas janelas quebradas ou suas paredes pintadas com mensagens contrárias ao consumo de carne.

As pichações trazem frequentemente a frase "parem o especismo", com uma expressão usada por defensores dos direitos dos animais para sugerir que pessoas que comem carne discriminam e se comportam de maneira imoral contra outras espécies que não a humana.

Cinco das seis pessoas detidas entre esta segunda e terça-feira foram liberadas ou serão em breve, enquanto uma mulher de 21 anos foi intimada a comparecer ao tribunal em 14 de dezembro, informou a promotoria de Lille. "Eles preferiram ficar em silêncio quando foram interrogados", acrescentou um porta-voz do órgão.

Uma fonte próxima às investigações afirmou que análises de DNA e registros telefônicos levaram as autoridades aos seis suspeitos, assim como buscas em suas residências.

Em junho, açougueiros franceses chegaram a pedir proteção policial ao governo diante dos ataques, afirmando que sua segurança estava ameaçada e acusando vegetarianos e veganos de tentarem ditar seu estilo de vida livre de carne a toda a sociedade francesa.

Em carta ao ministro do Interior, Gérard Collomb, a confederação francesa de açougueiros —que atende pela sigla CFBCT e representa cerca de 18 mil trabalhadores em todo o país— mencionou, como uma das causas da insegurança, o crescente foco da imprensa no veganismo.

O texto dizia que os açougueiros estavam preocupados com as consequências da "insistência midiática exagerada em torno do estilo de vida vegano" e alegava que esses ativistas "querem impor seu estilo de vida, ou mesmo sua ideologia, a uma imensa maioria de pessoas".

Visitante em festival vegano em Calais, na França, no dia 8 de setembro
Visitante em festival vegano em Calais, na França, no dia 8 de setembro - Philippe Hugen/AFP

As tensões se elevaram nas últimas semanas, quando fazendeiros e donos de açougues advertiram que fariam um grande churrasco em protesto contra um festival vegano programado para ocorrer no município de Calais, no norte do país.

A ameaça levou o prefeito da cidade a cancelar o evento, marcado para 8 de setembro, mas a organização recorreu da decisão, e um juiz decidiu em favor da realização do festival, que acabou ocorrendo sem incidentes.

Assim como em outros países ocidentais, os hábitos alimentares estão mudando na França, um país tradicionalmente carnívoro, onde opções vegetarianas e veganas –quando, além da carne, não são consumidos produtos de origem animal, como leite e ovo– são difíceis de encontrar nos cardápios dos restaurantes.

Enquanto isso, o movimento pelos direitos dos animais, que tem como um de seus porta-vozes a atriz francesa Brigitte Bardot, tem presença cada vez mais forte na imprensa do país. A popularidade da causa gerou, inclusive, uma queda nas vendas de carne na França.

Confrontados com esse declínio, grupos de fazendeiros têm pressionado o governo centrista do presidente Emmanuel Macron a evitar medidas consideradas contrárias ao consumo de carne. Por exemplo, uma proposta para exigir que as escolas francesas introduzam uma refeição vegetariana ao menos uma vez por semana foi rejeitada no Parlamento.

DW
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