Com popularidade em baixa e desfalques na equipe, Macron anuncia novo ministério

Haverá trocas de guarda nas pastas do Interior, da Agricultura, da Cultura e dos Territórios

Lucas Neves
Paris

O governo Emmanuel Macron anunciou nesta terça-feira (16) uma reforma ministerial com que pretende pôr fim à turbulência gerada nos últimos meses por demissões de nomes proeminentes da administração francesa, popularidade em baixa e um nebuloso episódio envolvendo um chefe de segurança do Palácio do Eliseu.

Haverá trocas de guarda nas pastas do Interior (assumida por Christophe Castaner, homem de confiança de Macron e até aqui secretário de Estado para as Relações com o Parlamento), da Agricultura, da Cultura e dos Territórios (espécie de versão local do Ministério da Integração Nacional brasileiro).

O novo ministro do Interior, Christophe Castaner (centro), e o secretário de Estado Laurent Nunez (esq.) chegam para cerimônia de posse no Ministério do Interior, em Paris - Thibault Camus/Associated Press

A opinião pública francesa aguardava o anúncio da nova equipe havia quase duas semanas, desde a demissão a pedido do então titular do Interior, Gerard Collomb, visto como um dos pilares da “macronia”, como a imprensa local chama essa gestão.

Collomb já tinha sinalizado o desejo de se desligar do governo após as eleições europeias, em maio de 2019, para retornar a Lyon, onde construiu sua carreira e da qual foi prefeito por 16 anos. Ele queria se candidatar novamente em 2020 ao comando da terceira maior cidade francesa.

No começo de outubro, o ministro decidiu adiantar sua saída. Teve um primeiro pedido de demissão negado por Macron, mas insistiu e conseguiu o que pleiteava no dia 3.

Antes, em setembro, o presidente já tinha amargado o adeus do ministro da Ecologia, Nicolas Hulot, que anunciara seu desligamento ao vivo, em um programa de rádio, sem antes avisar Macron ou o primeiro-ministro, Édouard Philippe.

Hulot era visto como um quadro altamente qualificado, e sua presença servia como aceno à esquerda de um governo muitas vezes acusado de assumir um viés conservador, apesar de ter sido eleito com votos de centro e do eleitorado progressista.

Para complicar, pouco antes, o jornal Le Monde revelara que Alexandre Benalla, um dos chefes de segurança do Eliseu, havia se passado por policial comum para agredir participantes de uma manifestação do Dia do Trabalho, em maio.

A falta de transparência da gestão Macron na divulgação do caso e na imposição de medidas disciplinares contra o funcionário público tinha rendido muita dor de cabeça ao entourage do presidente no fim do verão europeu.

O chefe de governo tentou debelar a crise arquitetando uma “operação-simpatia” durante visita às Antilhas, com farta distribuição de sorrisos, abraços, beijos e “selfies” nas ruas e dentro das casas de cidadãos comuns.

Ali, também tentou desfazer a imagem de arrogante e inacessível, dizendo que precisava da ajuda do povo, dos jornalistas e dos membros do Legislativo para explicar (e emplacar) a agenda de reformas do Executivo, que inclui mudanças na previdência e no seguro-desemprego, para citar algumas frentes.

De volta a Paris, Macron anunciou investimentos vultosos no combate à pobreza e no sistema público de saúde. Por ora, não foi suficiente para fazer subir sua taxa de aprovação, estacionada na casa dos 30%.

Diferentemente do informado anteriormente neste texto, as eleições para o Parlamento Europeu serão em maio de 2019, não de 2017.

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