Descrição de chapéu Venezuela

ONU, Brasil e UE pedem investigação sobre morte de opositor de Maduro

Venezuela diz que vereador Fernando Albán se suicidou na prisão, mas aliados contestam

Genebra

O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, a União Europeia e o governo brasileiro pediram nesta terça-feira (9) uma investigação transparente sobre as circunstâncias da morte do vereador opositor venezuelano Fernando Albán.

Albán morreu enquanto estava preso na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin, polícia política do regime de Nicolás Maduro) em Caracas acusado de ligação com o suposto atentado contra o ditador em 4 de agosto.

O regime afirma que ele se suicidou enquanto se encaminhava para uma audiência de custódia, mas o advogado do vereador questiona as conclusões das autoridades e seu partido, o Primeiro Justiça, considera que ele foi assassinado no cárcere.

A porta-voz do órgão das Nações Unidas, Ravina Shamdasani, pediu uma investigação transparente para esclarecer as circunstâncias da morte porque, segundo ela, existem informações contraditórias sobre o ocorrido. "Fernando Albán estava detido pelo Estado. O Estado tinha a obrigação de garantir sua segurança, sua integridade pessoal.

Amigos do vereador Fernando Albán se abraçam do lado de fora da prisão onde ele morreu, em Caracas
Amigos do vereador Fernando Albán se abraçam do lado de fora da prisão onde ele morreu, em Caracas - Fernando Llano/AP

Em nota, o Itamaraty informou que o governo brasileiro considera que o caso levanta "legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação". 

"Esperamos uma investigação exaustiva e independente para esclarecer as circunstâncias da trágica morte do vereador Albán", disse o escritório da chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, que também pediu a soltura dos presos políticos.

Albán foi preso na última sexta-feira (5) ao pousar no aeroporto internacional de Maiquetía, que serve Caracas, vindo de Nova York. 

Além de visitar os filhos, ele participou na cidade americana de um evento com o correligionário e ex-presidente da Assembleia Nacional Julio Borges, exilado na Colômbia e também acusado pelo regime de ligação com o suposto ataque contra Maduro.

Segundo o procurador-geral, Tarek William Saab, aliado de Maduro, o vereador se matou ao se atirar da janela de um banheiro. Na versão de Saab, Albán pediu para ir ao cômodo antes de sair para uma audiência de custódia.

Horas depois, o ministro da Justiça, Néstor Reverol, que responde pelo Sebin, também mencionou o suicídio, mas declarou que o vereador havia se atirado de uma sala de espera, e não de um banheiro.

Albán era uma das mais de 20 pessoas presas acusadas de ter explodido dois drones no centro de Caracas enquanto o ditador participava de um evento militar. Maduro acusa a Colômbia e os EUA de terem ajudado a planejar a ação.

O advogado do opositor, Joel García, criticou o regime por impedir o acesso ao local onde caiu o corpo de Albán e ao necrotério para presenciar a autópsia. "A primeira coisa que qualquer órgão policial deve dizer é que há uma investigação. Pode ser suicídio, pode ser homicídio."

O partido do vereador, porém, chamou a morte de assassinato. "Exigimos a verdade das coisas e declaramos que esta dolorosa situação é demonstração do pior da ditadura", disse o Primeiro Justiça, em comunicado.

Julio Borges chamou o regime de assassino. "A crueldade da ditadura acabou com a vida de Fernando Albán. Sua morte não vai ficar impune", disse o deputado.

Albán foi enterrado nesta terça em um velório que reuniu opositores na Assembleia Nacional, de maioria opositora e que teve os poderes anulados pela Assembleia Constituinte. "Meu pai morreu por lutar pela democracia e a liberdade", disse Fernando Albán, filho do vereador.

AFP e Reuters
Erramos: o texto foi alterado

Versões anteriores desta reportagem informavam que Albán foi preso ao sair da Venezuela, mas a captura ocorreu quando ele voltava ao país. O texto foi corrigido.

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