Descrição de chapéu Venezuela

Maduro pede encontro 'cara a cara' com Trump

'Somos gente com quem se pode falar e negociar', disse o ditador em entrevista

O ditador Nicolás Maduro, durante discurso na Assembleia Constituinte Venezuelana - Carlos Garcia Rawlins - 14.jan.2019/Reuters
Miami | AFP

Em meio ao aumento da pressão internacional contra seu governo, o ditador venezuelano Nicolás Maduro disse na noite desta quinta-feira ( 17) que gostaria de ter "um diálogo franco, direto, cara a cara" com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A mensagem do venezuelano para um de seus principais adversários na região foi dada em uma entrevista ao canal Univisión, voltado para o público latino nos EUA.

"Sei que somos pessoas muito diferentes, presidente Trump. Somos de países diferentes, mas estamos no mesmo hemisfério (...) e, cedo ou tarde, seremos obrigados a falar, a nos entender", disse Maduro, que concedeu a entrevista da Venezuela

"Tomara que aconteça a oportunidade de um diálogo franco, direto, cara a cara, para que você veja que não é o que dizem a você nos informes, que nós somos de verdade e somos gente com quem se pode falar e negociar, entender e concordar. Essa seria a mensagem que eu gostaria de transmitir ao presidente Donald Trump", acrescentou ele.

Maduro por diversas vezes já acusou Trump e os Estados Unidos de tentarem desestabilizar seu governo e de serem, ao lado da Colômbia, os principais culpados pela crise que assola a Venezuela.

Nesta quinta, porém, ele adotou um tom mais ameno e criticou mais duramente o antecessor de Trump, o democrata Barack Obama.  

"Tenho uma visão de que você herdou erros das administrações anteriores, incluindo o governo Obama, erros na política externa para a América Latina, e que há uma ideologização da política externa americana contra a Venezuela", disse Maduro.

"Podemos falar de todos esses temas", continuou, fazendo um convite para que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que vá à Caracas. 

A Venezuela convive atualmente com um desabastecimento generalizado, sofre com falta de segurança e tem uma inflação que pode ultrapassar 10.000.000% até o final do ano, segundo previsão do FMI (Fundo Monetário Internacional). A crise já fez cerca de 3,3 milhões de pessoas emigrarem do país, de acordo com dados da ONU. 

Em meio a este cenário, Maduro foi reeleito em maio para mais seis anos no comando do país, em uma eleição boicotada pela oposição e marcada por denúncias de fraudes. 

A ditador tomou posse na semana passada para iniciar o novo mandato, que não foi reconhecido pela oposição interna, pelo governo dos EUA, pela União Europeia e pelo Grupo de Lima (bloco que reúne 14 países do continente americano, entre eles o Brasil). 

Na terça (15) a Assembleia Nacional da Venezuela, de maioria opositora, declarou que o ditador usurpou a Presidência e deu início a um governo de transição. O presidente da Casa, Juan Guaidó, tinha se declarado na sexta passada (11) como presidente interino do país no lugar de Maduro. 

As declarações, porém, tem pouco efeito prático interno, já que a Assembleia teve a maior parte de seus poderes retirados em 2017 e repassados para a Constituinte, formada apenas por grupos leais ao ditador. 

A Casa e Guaidó, porém, têm recebido manifestações de suporte da comunidade internacional, inclusive dos EUA. Nos últimos dias, em diferentes oportunidades, Washington deu seu apoio à Assembleia Nacional, e o vice-presidente Mike Pence afirmou que ela é o "único corpo democrático legítimo" na Venezuela.

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