Paquistão diz que derrubou dois jatos da Índia em seu espaço aéreo

Índia atacou o país vizinho na última terça como retaliação a um atentado terrorista

Soldados indianos observam destroços de avião da Força Aérea Indiana na Caxemira
Soldados indianos observam destroços de avião da Força Aérea Indiana na Caxemira - Tauseef Mustafa/AFP
Islamabad | Reuters

No segundo dia seguido de confrontos militares entre Índia e Paquistão, aviões paquistaneses realizaram ataques na região da Caxemira nesta quarta (27), como retaliação a uma invasão do espaço aéreo do país por aeronaves militares indianas na terça (26).

As tensões entre os dois países, que possuem armas nucleares, aumentaram neste mês depois de um atentado terrorista na Caxemira que matou 40 soldados indianos. A Índia diz que os responsáveis pelo ataque, o grupo jihadista Jaish-e-Mohammad (Exército de Maomé), possui campos de treinamento no Paquistão, o que o governo do país nega. 

O ataque indiano de terça foi contra uma dessas bases terroristas, de acordo com o governo da Índia. O Paquistão acusou a entrada das aeronaves em seu espaço aéreo, mas negou que a ação tenha deixado vítimas ou destruído instalações de terroristas. 

O embate entre os países também é marcado por uma guerra de versões divulgadas pelos dois governos. 

O major Asif Ghafoor, porta-voz das Forças Armadas do Paquistão, disse que o país realizou seis ataques aéreos na região da Caxemira controlada pela Índia nesta quarta. Ghafoor disse que os aviões miraram alvos indianos para demonstrar seu poder de fogo, mas que atiraram deliberadamente em outros lugares abertos, onde não foram gerados danos.

"Essa não é uma retaliação no sentido real, mas para dizer que o Paquistão tem capacidade para isso. Porém, nós queremos ser responsáveis. Não queremos uma escalada [de tensões], não queremos uma guerra", disse Ghafoor, em uma coletiva de imprensa.

O governo indiano deu uma versão diferente e afirmou que os ataques do Paquistão foram neutralizados.

A Índia disse ter abatido um avião paquistanês, que teria caído no Paquistão, e perdido um de seus aviões, e não dois, com um piloto "desaparecido na ação", disse Raveesh Kumar, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. "O Paquistão diz que ele [o piloto] está sob custódia. Estamos aclarando os fatos", disse Kumar.

O governo do Paquistão publicou em sua conta no Twitter um vídeo que diz mostrar um dos pilotos. O homem, vendado e sangrando, diz seu nome e código funcional. 

Segundo o governo indiano, o Paquistão atacou entre 12 e 15 lugares próximos à linha de controle. Cinco soldados sofreram ferimentos leves durante os ataques aéreos realizados pelos dois lados. "Não houve vítimas civis, mas houve pânico entre as pessoas", disse Rahul Yadav, comissário do distrito de Pooonch, na Caxemira indiana.

Do lado paquistanês da Caxemira, houve ao menos quatro mortos e sete feridos, incluindo civis, com milhares de pessoas evacuadas, segundo as autoridades locais.

O premiê do Paquistão, Imran Khan, pediu que haja conversas com a Índia e disse esperar que o bom senso prevaleça, de modo que os dois lados reduzam as tensões.

"A história nos diz que as guerras são cheias de erros de cálculo. Minha questão é que, com as armas que temos, podemos ter erros de cálculo", disse Khan, durante um discurso na TV. "Nós devemos sentar e conversar".

Na Índia, o premiê Narendra Modi disputa a reeleição e usou os ataques ao Paquistão para se promover na campanha eleitoral. “Eu não vou deixar que o país seja destruído, que o país pare, ou que o país se curve. Eu saúdo as Forças Armadas e todos os indianos", disse em um comício na terça (26), horas após os ataques.  

A última vez que aviões militares indianos cruzaram a fronteira do Paquistão para um ataque foi em 1971, durante a guerra ocorrida entre os dois países que teve como pano de fundo a independência de Bangladesh. 

Para proteger os moradores da fronteira, a Índia está construindo 14 mil bunkers no estado de Jammu e Caxemira. Os novos abrigos, que foram planejados antes do acirramento da tensão desta semana, devem impedir um deslocamento em massa de pessoas. 

Engenheiros do governo disseram que os trabalhos nas estruturas subterrâneas de aço e concreto, que podem custar US$ 60 milhões, começaram em junho do ano passado. "Eles podem resistir a bombardeios simples", disse um engenheiro do departamento de obras públicas, encarregado de construir os bunkers.

No lado paquistanês da fronteira, a maioria das casas construídas após um cessar-fogo em 2003 não possuem bunkers, embora o governo paquistanês tenha um programa para fazer mais estruturas como essas.

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