Paquistão vai libertar piloto indiano capturado após confronto aéreo

Libertação será realizada nesta sexta e foi apontada como 'gesto de paz'

Destroços de avião indiano caído perto da vila de Garend Kalan - Javed Dar/Xinhua
Islamabad | AFP

O Paquistão vai libertar na sexta-feira (1º), como "um gesto de paz", o piloto da força aérea indiana Abhi Nandan, capturado na quarta-feira (27), anunciou o primeiro-ministro Imran Khan aos parlamentares paquistaneses.

"Como gesto de paz, vamos libertar o piloto indiano", declarou o chefe de governo perante a Assembleia Nacional.

O avião foi derrubado na quarta no espaço aéreo da Caxemira, durante um confronto aéreo entre as duas potências nucleares, algo que não acontecia há quase 50 anos. 

O piloto Abhi Nandan, em foto divulgada pelo governo do Paquistão, que o capturou - Reuters

O conflito começou na terça (26), quando aeronaves indianas fizeram bombardeios dentro do território paquistanês. A Índia afirmou ter destruído o maior campo de treinamento de terroristas no Paquistão, matando centenas de militantes da facção Jaish-e-Mohammad (Exército de Maomé).

O grupo assumiu a autoria de um atentado no dia 14 de fevereiro que matou 40 soldados indianos na Caxemira. 

O Paquistão contesta a versão indiana e afirma que nenhum centro de treinamento de jihadistas foi atingido.

A disputa entre os dois países também é influenciada pelas eleições na Índia, que se realizam em menos de três meses. O premiê Narendra Modi ainda é o líder mais popular do país, mas seu partido, o BJP, sofreu derrotas em eleições estaduais em 2018 e está sob pressão por causa do alto índice de desemprego no país. 

A disputa entre Índia e Paquistão pela Caxemira, que remonta à Partição da Índia, em 1947, e o apoio do governo paquistanês a extremistas que fazem ataques terroristas dentro do território indiano são questões explosivas para o eleitorado indiano. 

A onda de patriotismo que tomou a Índia desde o atentado na Caxemira ajuda a popularidade de Modi, que teme ser punido nas urnas se não responder à agressão paquistanesa. Mas há grandes riscos.

Do lado paquistanês, há interesse maior em evitar um conflito. Na quarta (27), o premiê paquistanês havia pedido a realização de conversas com a Índia. "A história nos diz que as guerras são cheias de erros de cálculo. Minha questão é que, com as armas que temos, podemos ter erros de cálculo", disse Khan, durante um discurso na TV. "Nós devemos sentar e conversar". 

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