Descrição de chapéu Venezuela

Resolução americana no Conselho de Segurança pede eleições na Venezuela

Já texto russo condena intervenção externa no país, mas defende solução política para crise

Igor Gielow
São Paulo

Os Estados Unidos irão propor nesta quinta (28) ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução pedindo o começo de um processo político que desemboque em eleições presidenciais livres na Venezuela.

Soldados da Força Nacional vigiam a fronteira entre Brasil e Venezuela em Pacaraima, Roraima
Soldados da Força Nacional vigiam a fronteira entre Brasil e Venezuela em Pacaraima, Roraima - Nelson Almeida/AFP

Formado pelos membros permanentes americanos, russos, chineses, britânicos e franceses, o Conselho de Segurança é o órgão decisório máximo das Nações Unidas. Ali, todos têm direito a um voto e a um veto. Aliados da ditadura de Nicolás Maduro, Moscou e Pequim trabalham juntos no conselho.

Além do texto americano, a Folha também teve acesso à proposta russa para discussão. A resolução de Moscou condena intervenções externas no que chama de assuntos internos venezuelanos, mas defende uma solução política e pacífica para a resolução da crise.

Há tratativas para que uma resolução intermediária seja discutida. No texto americano é expressa a "preocupação" de as eleições presidenciais que reconduziram Maduro ao poder em 2018 não tenham sido "livres ou justas".

O tom é menos beligerante do que vêm dizendo autoridades americanas, brasileiras e colombianas, mas dificilmente será comprado por russos e chineses.

Rússia e China têm interesses econômicos e estratégicos no país de Maduro. O governo de Vladimir Putin estabeleceu laços militares já na época do antecessor do ditador, Hugo Chávez, e os mais eficazes equipamentos bélicos venezuelanos são de origem russa.

Moscou investiu e tornou-se sócia da indústria de hidrocarbonetos do país, que tem algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Além disso, interessava a Putin manter um pé no "quintal" geopolítico dos EUA, algo semelhante ao que fez a China ao emprestar mais de US$ 50 bilhões ao regime ao longo da última década.

A preocupação é tanta que o Comando Sul das Forças Armadas americanas elenca a presença da dupla na Venezuela como um dos maiores riscos para os interesses de Washington na região. A eleição de Jair Bolsonaro no Brasil trouxe mais um aliado de peso regional para a esfera americana, que contava até então com a Colômbia para enfrentar Maduro.

A resolução pede que a ONU supervisione um novo pleito na Venezuela. Ela também defende que sejam dadas garantias de segurança aos parlamentares da Assembleia Nacional, ente de maioria opositora liderado por Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como o presidente interino do país.

O impasse no país vizinho foi agravado no fim de semana. Guaidó conclamou uma operação de entrega de ajuda humanitária coordenada pelos EUA e operacionalizada nas fronteiras do Brasil e da Colômbia. Mas o "dia D", como o chefe da oposição o chamou, acabou com Maduro bloqueando a entrada de mantimentos e confrontos que deixaram mortos e feridos.

A resolução americana também "acesso desimpedido" de ajuda humanitária para a Venezuela, ressaltando o colapso econômico e social do país.

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