Descrição de chapéu Venezuela

'Se Guaidó voltar à Venezuela, terá que dar explicações à Justiça', diz Maduro

Ditador acusa líder opositor de estabelecer um governo paralelo e de não respeitar as leis do país

São Paulo

Em entrevista à TV americana ABC, o ditador Nicolás Maduro mandou um recado ao líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países. 

Quando questionado se ele permitiria a volta de Guaidó ao país, Maduro disse: "Ele pode sair e voltar, mas terá que dar explicações à Justiça, porque foi proibido de deixar o país. Ele tem que respeitar as leis."

Guaidó foi proibido de deixar o país e teve contas bloqueadas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que é alinhado a Maduro. Em janeiro, o deputado opositor chegou a ser detido por agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional) por cerca de uma hora.

Juan Guaidó, com o vice-presidente americano, Mike Pence, em reunião em Bogotá
Juan Guaidó, com o vice-presidente americano, Mike Pence, em reunião em Bogotá - Diana Sanchez - 25.fev.19/AFP

Maduro acusa Guaidó de tentar estabelecer um governo paralelo, durante a reunião do Grupo de Lima, que foi realizada em Bogotá na segunda-feira (25) para tratar da crise no país sul-americano. 

Nesta terça, em entrevista ao canal NTN24, Guaidó reafirmou que voltará ao país apesar do risco de ser preso, para "exercer suas funções". O oposicionista é presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.

"Um preso não serve para ninguém, um presidente exilado tampouco. Estamos em uma zona inédita. E minha função e meu dever é estar em Caracas apesar dos riscos, apesar das implicações", disse Guaidó

O Grupo de Lima é formado por 14 países das Américas que reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela. O México integra o fórum, porém não o reconhece. 

O líder opositor está em território colombiano desde sexta-feira (22). Ele compareceu ao Venezuela Aid Live, festival realizado na fronteira com a Colômbia para arrecadar verba para a ajuda humanitária e pressionar Maduro a aceitar que a ajuda internacional entrasse no país.

No dia seguinte, liderou a tentativa frustrada de entrada de ajuda humanitária na Venezuela. Na segunda-feira (25), Guaidó participou da reunião do Grupo de Lima. Ele disse que voltaria ao país nesta semana.

Na mesma entrevista, Maduro insistiu que os EUA realizam um plano para "fabricar uma crise" na Venezuela, o que justificaria uma intervenção não apenas em seu país, mas em toda a América do Sul. Segundo ele, "tudo o que o governo dos Estados Unidos fez foi condenado ao fracasso".

"A Venezuela tem o direito à paz, tem instituições legítimas. Eu (...) estou preparado para um diálogo direto com o seu governo. Somos sul-americanos, temos que buscar soluções do século 21, não para a Guerra Fria. A Guerra Fria deve ser deixada para trás", disse ele, num recado ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Ele insistiu que Trump se tornou presidente graças ao "caminho fraturado" deixado por seu antecessor, Barack Obama, e reiterou sua disposição em dialogar com o republicano para ter relações respeitosas.

Maduro disse que não teme o presidente norte-americano, mas se preocupa com quem está ao seu redor, como o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, o assessor de segurança, John Bolton, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o encarregado das relações com a Venezuela, Elliott Abrams.

"Eu acho que essas pessoas que cercam o presidente Trump são ruins. E acho que, em certo momento, o presidente Trump terá que dizer 'temos que ver o que acontece com a Venezuela e mudar nossa política'", disse ele.

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