Descrição de chapéu RFI

Brasileiros são presos na Itália por fraude para obter passaporte europeu

800 brasileiros obtiveram o documento ilegalmente, segundo a polícia italiana

Rafael Bellicanta
Roma | RFI

A polícia italiana prendeu sete brasileiros na manhã desta terça-feira (26), no âmbito da operação "Super Santos", que por mais de um ano investigou casos de fraude no reconhecimento da cidadania italiana a brasileiros.

Outros 800 brasileiros que obtiveram o passaporte ilegalmente estão sendo investigados e deverão ter a cidadania italiana revogada.

O vice-premiê italiano Matteo Salvini - Tony Gentile - 10.dez.18/Reuters

Segundo a polícia italiana, em apenas três dias os suspeitos "transformavam cerca de mil brasileiros em cidadãos italianos" —cobravam € 7 mil (aproximadamente R$ 30 mil), em dinheiro vivo.

"As agências de negócios, administradas ilegalmente pelos brasileiros detidos, haviam se transformado em verdadeiras agências de turismo", afirmou a polícia italiana em nota.

"É necessário respeito e fiscalização", disse o Ministro do Interior, Matteo Salvini.

"Consentiram à obtenção de mil falsas cidadanias italianas, numa fraude de mais de 5 milhões de euros [cerca de R$ 22 milhões]".

Além dos brasileiros, um padre da diocese de Pádua também foi detido por ter vendido uma certidão de batismo falsa para confirmar a ascendência italiana de um dos envolvidos.

A partir das certidões falsificadas, os criminosos induziram funcionários públicos a conceder a declaração de residência aos brasileiros em municípios das províncias de Verbania e Novara, na região de Piemonte —um requisito indispensável no processo de reconhecimento da cidadania italiana.

Investigação

Foram meses de interceptações telefônicas, inclusive em português, operações em aeroportos e lugares de chegada, além de centenas de averiguações nos imóveis onde os brasileiros estavam alojados.

Segundo as investigações, foram descobertos milhares de processos falsos para reconhecimento da cidadania.

"Antes de deixar a Itália, os novos italianos postavam no Facebook uma selfie com o passaporte europeu. Atrás deles, a entrada da prefeitura da cidade em que eram residentes fictícios. Pela frente, o sonho, transformado em realidade, de chegar aos Estados Unidos e ao Canadá como cidadãos europeus" afirmou a polícia em nota. 

 
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