Passageiros relatam medo de voar em Boeing 737 MAX após acidente na Etiópia

Companhias reafirmam confiança no modelo e dizem que aguardam esclarecimentos

Um Boeing 737 MAX 8, da Southwest Airlines, em Washington - Jason Redmond - 13.mar.2018/Reuters
São Paulo

​A confiança dos passageiros no avião Boeing 737 MAX foi afetada após o segundo acidente envolvendo o modelo em menos de cinco meses. Segundo a agência Bloomberg, viajantes estão usando as redes sociais para expressar seu medo em embarcar em um voo com o 737 MAX, e questionar se as empresas pretendem seguir operando com o modelo.

A queda de uma aeronave deste modelo, da Ethiopian Airlines, no domingo (10) deixou 157 mortos na Etiópia. O acidente ocorreu seis minutos após a decolagem

Nesta segunda (11), China e Indonésia ordenaram às empresas aéreas de seus países que deixem de voar com este modelo de aeronave até segunda ordem.

A usuária @shani_ob, de Nova York, contou no Twitter que, ao ver que seu voo da Southwest Airlines seria feito em um Boeing 737 MAX, pediu a troca para um voo que usasse outro modelo de avião. "A atendente mudou meu voo sem cobrar por isso. Mas a pessoa que viajava comigo ligou cinco minutos depois para pedir a mesma coisa e eles disseram que isso não seria possível", postou.

A Southwest, que possui 34 aeronaves do tipo, reforçou sua confiança no modelo. "Nos mantemos confiantes na segurança de nossa frota de mais de 750 aeronaves da Boing", publicou em uma rede social.

Outra usuária, Tracey Nicole, perguntou à Iceland Air, via Twitter, "o que vocês estão fazendo para acomodar passageiros que compraram viagens com o Boeing 737 MAX 8 mas não se sentem confortáveis de voar nesta aeronave?".

A Iceland Air disse que não haverá exceções nas remarcações, que devem seguir as regras de cada bilhete. "Não vamos retirar nenhuma taxa", respondeu a empresa.
 
No Brasil, a Gol é a única empresa que opera com o 737 MAX 8, do qual possui sete unidades. 

No Twitter, algumas pessoas questionaram a Gol se a empresa pretende deixar de usar os MAX 8. "China suspendeu voos com o 737 MAX até ser comprovada a segurança da aeronave. E a Gol?", perguntou o usuário Álvaro Laranjeira no Twitter.

"A Gol segue acompanhando as investigações e mantém contato próximo com a Boeing para esclarecimentos. A companhia reitera a confiança na segurança de sua operação", respondeu a empresa.

O temor em voar com o MAX 8 lembra o ocorrido com o Fokker 100, aeronave muito usada pela TAM na década de 1990 que ganhou má fama após um acidente em São Paulo em 1996, que matou 99 pessoas. 

O modelo de jato esteve envolvido em outro problema em 1997, quando um passageiro detonou uma bomba dentro de um voo da TAM que viajava de São José dos Campos a São Paulo. A explosão destruiu a porta do avião e, com a pressão do ar, outro passageiro foi sugado para fora da aeronave e morreu. Houve, ainda, outras duas falhas em um mesmo dia de 2002, que terminaram em pousos forçados.

Para lidar com a questão de imagem, o Fokker 100 passou a ser chamado de MK-28 pela Avianca, que comprou 14 deles em 2008. O último voo com passageiros do modelo no Brasil foi realizado em 2015. 

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