Último líder da era soviética no poder, presidente do Cazaquistão renuncia após 30 anos

Decisão vem em meio à crise econômica causada pelos baixos preços do petróleo

Almaty (Cazaquistão)

O presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, anunciou nesta terça-feira (19) sua renúncia após 30 anos à frente do governo. Seus poderes serão extintos a partir de quarta (20).

Nazarbayev, último líder da era soviética no poder, dirigiu uma série de grandes reformas econômicas e segue muito popular em seu país, cuja população é de 18 milhões de habitantes.

"Tomei a decisão de renunciar ao mandato presidencial", declarou Nazarbayev, 78, em discurso transmitido pela televisão. Foi uma decisão inesperada, segundo a agência Reuters. 

"Como fundador do Estado cazaque independente, vejo minha tarefa agora em facilitar o surgimento de uma nova geração de líderes que darão continuidade às reformas que estão em andamento no país", completou.

Kassym-Jomart Tokayev, presidente do Senado, assumirá como presidente interino pelo restante do mandato —as próximas eleições presidenciais ocorrem em 2020. Tokayev, 65, é um diplomata de carreira formado em Moscou, que já serviu como chanceler e primeiro-ministro do Cazaquistão.

O agora ex-presidente, no entanto, manterá forte influência após sua saída da presidência graças a uma lei aprovada em 2018 que lhe deu status de "pai da nação", o que garante imunidade judicial.

O presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, renuncia em pronunciamento televisivo - REUTERS

Nazarbayev chegou à Presidência do país quando o Cazaquistão ainda era uma República soviética, em 1989. À época, o agora ex-presidente era primeiro secretário do Partido Comunista. 

Mesmo após a independência, em 1991, ele manteve o poder, sendo reeleito várias vezes por maioria absoluta e nunca tendo designado um sucessor. Ele obteve 97,7% dos votos nas últimas eleições presidenciais, em 2015.

O anúncio acontece menos de um mês depois de Nazarbayev, criticado pelos fracos resultados econômicos do país, dissolver o governo.

Há um crescente descontentamento popular com a inflação nesta nação da Ásia Central, atingida pela queda nos preços do petróleo e pelo baixo crescimento econômico na vizinha Rússia, seu principal parceiro comercial.

Reuters e AFP

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