Combates entre Índia e Paquistão se intensificam e deixam 7 mortos

Vídeo de piloto indiano libertado pelos paquistaneses alimentou tensões

Vídeo mostra o piloto indiano Abhinandan Varthaman, gravado pelo governo do Paquistão - Akhtar Soomro/Reuters
Nova Déli | AFP

Os confrontos entre a Índia e o Paquistão se intensificaram neste sábado (2), com disparos de artilharia dos dois lados da linha de demarcação, deixando ao menos sete mortos na fronteira da Caxemira. 

Em 24 horas, dois soldados e dois civis morreram do lado paquistanês, segundo fontes militares. Do lado indiano, uma mulher e seus filhos foram mortos depois que sua casa foi atingida nos combates.

Pelo menos 12 civis morreram desde o começo da semana nos dois lados da fronteira.

O chefe do exército indiano, Bipin Rawat, foi no sábado para Udhampur, na região indiana da Caxemira, para verificar a segurança na região.

Em toda a área, os moradores estavam amontoados em albergues artesanais, enquanto a polícia indiana ordenou a suspensão do movimento de veículos nas estradas da vizinhança, segundo a AFP.

Um vídeo do piloto indiano libertado na sexta-feira (1º) pelo Paquistão, no qual agradece as autoridades paquistanesas, também provocou, neste sábado, intenso descontentamento na Índia.

O tenente-coronel Abhinandan Varthaman, cujo caça MiG-21 foi abatido na quarta-feira (27), quando perseguia caças paquistaneses sobre a Caxemira, atravessou a pé o posto fronteiriço de Wagah na sexta.

Sua captura ocupou o centro das hostilidades entre as duas potências nucleares, desencadeadas por um atentado suicida que matou paramilitares indianos em 14 de fevereiro na Caxemira.

Abhinandan Varthaman, que havia se ejetado de seu caça e foi pego pela multidão no lado paquistanês, parecia ter um olho roxo quando retornou à Índia. Ele foi levado para exames médicos antes de um interrogatório com os serviços militares e de inteligência.

De acordo com a imprensa indiana, o retorno do piloto —celebrado como herói em seu país— demorou mais do que o previsto porque ele foi "forçado" a gravar um vídeo.

No vídeo, o soldado agradece o exército paquistanês por seu profissionalismo e por salvá-lo da multidão enfurecida, e acusa a imprensa indiana de fomentar uma histeria entre os dois países. O vídeo foi amplamente difundido pelos militares paquistaneses.

Um ex-chefe de governo do estado indiano de Jammu e Caxemira, Omar Abdullah, disse que o vídeo manchava o gesto do Paquistão de devolver o piloto tão rapidamente. Islamabad havia apresentado essa libertação como um "gesto de paz".

O piloto Abhinandan Varthaman, ao ser devolvido à Índia, na fronteira com o Paquistão - Xinhua

O piloto foi "forçado a gravar [o vídeo] pouco antes de ser devolvido", acusou Abdullah em uma rede social.

A mídia indiana descreveu o vídeo como "odioso", violando as normas internacionais sobre prisioneiros de guerra. Nas redes sociais na Índia o vídeo também foi criticado.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, assegurou que seu país foi apenas cauteloso ao optar por libertar o piloto. Nenhum "acordo" ou "pressão" foi imposto à Índia. "Só queremos paz", insistiu ele.

Centenas de milhares de paquistaneses assinaram duas petições online exigindo que seu primeiro-ministro, Imran Khan, seja indicado ao próximo prêmio Nobel da Paz, após suas decisões e declarações tranquilizadoras sobre a crise com a Índia. A hashtag #NobelPeaceForImranKhan se tornou viral no Twitter.

E, enquanto a mídia paquistanesa elogiava a liberação do piloto para aliviar a tensão com a Índia, alguns censuravam o gesto nas redes sociais.

"Não é uma boa ideia. Vai se voltar contra o Paquistão", estimou Gul Bukhari, crítico do governo e dos militares. 

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