Após atentados, tiroteio mata 16 na costa leste do Sri Lanka

Troca de tiros entre tropas do governo e supostos militantes islâmicos vitimou seis crianças

Soldado sengalês guarda área em Colombo, após série de ataques na Páscoa no país
Soldado sengalês guarda área em Colombo, após série de ataques na Páscoa no país - Jewel Samad/AFP
Colombo | Reuters e AFP

Ao menos 16 pessoas, incluindo seis crianças, morreram na madrugada deste sábado durante uma operação das forças de segurança do Sri Lanka contra um esconderijo do grupo jihadista Estado Islâmico, uma semana depois de sangrentos atentados da Páscoa no país.

O enfrentamento ocorreu em Ampara, ao sul da cidade de Batticaloa, local de uma das explosões do domingo de Páscoa (21) em hotéis de luxo e igrejas, que mataram mais de 250 pessoas e se tornaram o mais violento ataque no país desde o fim da guerra civil, há dez anos.

A operação foi realizada após uma informação indicar que extremistas vinculados aos atentados da Páscoa, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico. (EI), estavam escondidos em Kalmunai, a 370 km da capital. 

De acordo com um porta-voz militar, a troca de tiros começou quando as tropas foram recebidas com disparos e explosões ao chegarem ao local que seria o esconderijo.

Após uma hora de intensa troca de tiros, três homens atearam fogo no próprio corpo e provocaram a morte de três mulheres e seis crianças que estavam no local, de acordo com os dados preliminares.

"Outros três homens, que pensamos ser homens-bomba, foram encontrados mortos perto da casa", informou a polícia, acrescentando que eles foram abatidos por agentes de segurança. 

O Estado Islâmico disse, na noite de sábado (27), que os homens que lutaram contra os policiais faziam parte de sua organização, mas não mostrou provas. 

Materiais explosivos e roupas com o símbolo do Estados Islâmico foram achados no local após o combate. A polícia informou que está rastreando 140 pessoas suspeitas de ter vínculos com o EI no país.

Segundo as autoridades, ao menos 100 pessoas já foram detidas, incluindo cidadãos da Síria e do Egito. Vinte foram presos apenas nas últimas 24 horas.

"Temos informações que apontam que 140 pessoas no Sri Lanka estariam ligadas ao Estado Islâmico. Podemos e vamos erradicá-las rapidamente", anunciou o presidente Maithripala Sirisena na sexta-feira, anunciando uma lei para proibir grupos islamitas.

Em uma outra operação em uma mesquita da capital, Colombo, um suspeito foi preso e uma coleção de 40 espadas e facas foi encontrada debaixo da cama de um clérigo.

Por razões de segurança, as igrejas católicas foram fechadas até nova ordem e algumas mesquitas cancelaram a oração de sexta-feira. Naquelas que não fecharam, o comparecimento não foi grande e a oração foi realizada em meio a fortes medidas de proteção.

Com o governo na defensiva por ignorar as advertências de outros países sobre a alta probabilidade de ataques, o principal líder da polícia do Sri Lanka, o inspetor-geral (IGP) Pujith Jayasundara, renunciou.

O chefe do Ministério da Defesa já havia renunciado, na quinta-feira.

Um alerta que o chefe de polícia emitiu em 11 de abril advertindo que o NTJ preparava ataques nunca foi comunicado ao primeiro-ministro ou a ministros de alto escalão, em um contexto de disputa de poder entre o chefe de governo, Ranil Wickemesinghe, e o presidente Sirisena, também ministro do Interior e da Defesa. 

Nos últimos dias, vários países ocidentais pediram a seus cidadãos que não visitem o Sri Lanka ou deixem o país. A Austrália chegou a considerar que novos ataques eram "prováveis".

Os Estados Unidos desencorajaram seus cidadãos a viajarem para o país, afirmando ter "capacidade limitada de assistência aos cidadãos norte-americanos no Sri Lanka" em razão do "terrorismo" no país.

Sri Lanka, um país conhecido por suas praias idílicas e sua natureza, registrou em 2018 um recorde de 2,33 milhões de turistas. Agora espera uma queda de 30% no número de visitantes, segundo o ministro das Finanças da ilha, Mangala Samaraweera.

 
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