Após oferta de Putin, presidente ucraniano eleito propõe passaporte para russos

Zelensky recusa oferta e, em resposta, oferece dar direito a passaporte ucraniano aos russos que sofrem com o autoritarismo de Putin

O presidente eleito da Ucrânia, Volodymyr Zelensky
O presidente eleito da Ucrânia, Volodymyr Zelensky - Sergey/Xinhua
Kiev (Ucrânia) | AFP

O presidente eleito de Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que os ucranianos recusarão a oferta de Moscou para a concessão de cidadania russa, e propôs em resposta dar o direito ao passaporte ucraniano aos cidadãos do país vizinho que sofrem com o autoritarismo do governo de Vladimir Putin.

Putin anunciou neste sábado (27) que "analisa" a simplificação do  processo de obtenção da cidadania russa para todos os ucranianos, após sua administração adotar nesta semana uma medida similar para os cidadãos do leste separatista da Ucrânia.

"Vamos conceder a cidadania ucraniana às pessoas de todas as nações que sofrem sob regimes autoritários e corruptos", escreveu na noite de sábado no Facebook o presidente Zelensky, um ator e humorista eleito na semana passada e que assumirá o cargo em junho.

"Principalmente para os russos, que sofrem mais que todos", acrescentou.

Zelensky destacou que, ao contrário do que acontece no país governado por Putin, "nós, os ucranianos, temos a liberdade de expressão, e a imprensa e internet são livres no nosso país".

Novato na política, Zelensky prometeu "retomar" as negociações com as regiões que se proclamaram independentes em 2014, questão em que Kiev e o Ocidente acusam a Rússia de apoiá-las militarmente, o que é negado por Moscou.

O anúncio de Putin acontece após o Kremlin adotar na quarta (24) medida semelhante para os cidadãos das autoproclamadas repúblicas separatistas no leste do país vizinho.

Pelo decreto de Putin, ficam isentos de formalidades como ter endereço fixo na Rússia ou ter morado por cinco anos seguidos no país os habitantes do Donbass — que somam cerca de 3,7 milhões de pessoas. O processo também deve ser expresso, em no máximo três meses.

A União Europeia (UE) criticou de imediato a oferta de Putin, afirmando que constituía um ataque à soberania da Ucrânia.

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