Putin quer facilitar cidadania russa para todos os ucranianos

Declaração acontece após anúncio de decreto que facilita cidadania russa a separatistas da Ucrânia

Presidente russo Vladimir Putin durante visita à China, neste sábado (27)
Presidente russo Vladimir Putin durante visita à China, neste sábado (27) - Sergei Ilnitsky/AFP
Pequim | AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou na manhã deste sábado, 27, que Moscou "planeja" simplificar o processo de obtenção de cidadania russa para todos os ucranianos. 

O anúncio acontece após o Kremlin adotar na quarta (24) medida semelhante para os cidadãos das autoproclamadas repúblicas separatistas no leste do país vizinho.

"Estamos planejando conceder a cidadania por meio de um processo simplificado a todos os cidadãos da Ucrânia, não só aos moradores das repúblicas de Lugansk e Donetsk", disse ele durante visita a Pequim, referindo-se às áreas apoiadas pelo Kremlin, na região conhecida como Donbass.

Pelo decreto de Putin, ficam isentos de formalidades como ter endereço fixo na Rússia ou ter morado por cinco anos seguidos no país os habitantes do Donbass — que somam cerca de 3,7 milhões de pessoas. O processo também deve ser expresso, em no máximo três meses.

A medida foi denunciada por Kiev. A União Européia também criticou a medida, alegando que ela constitui um ataque à soberania da Ucrânia. 

A decisão chega dias depois da Ucrânia escolher no domingo (21) o ator Volodimir Zelenski como presidente. Em resposta, o comediante que toma posse no início de junho, pediu para aprovar mais sanções internacionais contra a Rússia.

Putin disse também neste sábado que queria "entender" a posição de Zelenski no conflito. Ele afirmou que não descartou o diálogo com o ator, um novo político, com quem ele já está disposto a "manter uma discussão".

“Não desejamos criar problemas para a nova liderança ucraniana”, afirmou Putin durante a semana à agência russa Tass. 

O conflito entre o governo ucraniano e os rebeldes começou depois que Moscou anexou a península da Criméia em 2014. Desde então, a guerra civil custou cerca de 13 mil vidas.

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