Novo ciclone atinge Moçambique um mês após catástrofe que matou mil pessoas

Tempestade Kenneth deve trazer o dobro de chuvas que vieram com o ciclone Idai

Imagem de satélite mostra o ciclone Kenneth se aproximando da costa de Moçambique - Nasa/Reuters
Johanesburgo e Luanda

O ciclone Kenneth matou ao menos uma pessoa e deixou um rastro de destruição ao atingir o norte de Moçambique na noite de quinta-feira (25).

O novo ciclone chega a Moçambique seis semanas após o ciclone Idai devastar o país africano, inundar uma área do tamanho de Luxemburgo e matar mais de mil pessoas na região.

O novo ciclone trouxe tempestades e rajadas de vento de até 280 km/h ao atingir a costa na noite de quinta-feira (25), depois de matar três pessoas ao passar pela ilha de Comores, além de gerar blecautes generalizados.

A primeira morte causada pelo Kenneth foi a de mulher na cidade costeira de Pemba, que foi atingida pela queda de uma árvore. 

O Kenneth atingiu o norte do país, onde fica a cidade de Pemba. O Idai atingiu com mais força a área central de Moçambique, especialmente a cidade de Beira. A distância entre as duas zonas é de cerca de 1.000 km. 

 

Segundo o comitê de emergência, cerca de 15 mil pessoas estão desalojadas e buscam refúgio em abrigos superlotados. Há necessidade de mais tendas, comida e água. 

A expectativa é que o Kenneth traga vários dias de chuva contínua. "A precipitação que prevemos para os próximos quatro dias na parte nordeste de Moçambique é de 500 a mil milímetros de chuva", disse  Dipuo Tawana, meteorologista do Serviço Climático Sul-Africano.

 A quantidade prevista é o dobro da trazida pelo ciclone anterior.

Mark Lowcock, sub-secretário-geral da ONU para assuntos humanitários, alertou que a tempestade poderá exigir outra grande operação de ajuda a Moçambique.

"É a primeira vez que dois ciclones atingem a costa de Moçambique na mesma temporada, o que aumenta a pressão sobre os recursos limitados do governo", disse. 

Na quarta-feira, as autoridades moçambicanas disseram que cinco rios transbordaram, além de canais litorâneos, e que a tempestade ameaça mais de 680 mil pessoas.

 
Reuters
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