Diplomata essencial na missão brasileira no Haiti morre em acidente

Paulo Cordeiro e sua mulher, Vera Lúcia Ribeiro, morreram em acidente rodoviário no Sul da Itália

São Paulo

Morreram nesta quarta-feira (8), em acidente rodoviário no Sul da Itália, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto e sua mulher, Vera Lúcia Ribeiro Estrela de Andrade Pinto.

Segundo o ex-chanceler Celso Amorim, chefe de Cordeiro quando este era embaixador no Haiti, o diplomata protagonizou o momento mais importante da diplomacia brasileira naquele país.

Cordeiro teve atuação crucial por ocasião da primeira eleição presidencial, em 2006, após o início da presença das tropas brasileiras na missão de paz da ONU, batizada Minustah.

O então embaixador brasileiro no Haiti, Paulo Cordeiro, à esquerda, conversa com o representante da ONU Juan Gabriel Valdes durante cerimônia em Porto Príncipe
O então embaixador brasileiro no Haiti, Paulo Cordeiro, à esquerda, conversa com o representante da ONU Juan Gabriel Valdes durante cerimônia em Porto Príncipe - Eduardo Munoz - 9.dez.06/Reuters

Foi, portanto, contemporâneo em alguns momentos de generais que ocupam hoje cargos importantes no governo de Jair Bolsonaro. Casos de Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo); e Edson Leal Pujol, comandante do Exército.

Amorim relembra que Cordeiro “teve papel importante nas articulações que permitiram a posse do presidente eleito, René Préval".

Préval (1943-2017) vencera o pleito com folga, mas sua vitória estava sendo contestada, após tentativa de fraude por parte das forças que se opunham a ele, ex-correligionário de Jean-Bertrand Aristide, um ex-sacerdote que fora ligado à Teologia da Libertação e, portanto, acusado de ser esquerdista.

Paulo Cordeiro ingressou no serviço exterior brasileiro em 1978 e ocupou postos em várias missões diplomáticas relevantes.

Serviu em Genebra, a cidade suíça que abriga um punhado de organizações das Nações Unidas. Ainda no que se refere às Nações Unidas, serviu na embaixada brasileira na ONU, no momento em que o Brasil era membro (não permanente) do Conselho de Segurança, o coração das Nações Unidas. Como embaixador, serviu, além do Haiti, também no Canadá.

No Brasil, foi subsecretário-geral de Política 3, a designação que o Itamaraty dá para o departamento que cuida de África, Oriente Médio e da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

Foi também diretor do Centro de Estudos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Assumiu a embaixada no Líbano no fim do ano passado. Cordeiro estava com a mulher na Itália em férias.

“Uma grande perda para o Itamaraty e o Brasil, que nos faz lembrar de tempos em que nossa política externa se caracterizava por valores como a paz e a solidariedade", diz Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores durante as gestões de Itamar Franco e de Lula.

O Itamaraty também manifestou a familiares e amigos seu grande pesar pelo falecimento do embaixador.

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