Protestos após eleições na Indonésia deixam ao menos seis mortos

Candidato derrotado se recusa a aceitar resultado das urnas e convoca manifestações

Jacarta | Reuters

Uma onda de protestos devido aos resultados das eleições na Indonésia deixou ao menos seis mortos e 200 feridos em Jacarta, segundo o governo local.

Os atos começaram após a divulgação, na terça-feira (21), do resultado do pleito, que apontou vitória do presidente Joko Widodo para um novo mandato. ​

 

O órgão eleitoral da Indonésia informou que Widodo teve 55% dos votos, contra 44% de Prabowo Subianto. Com 154 milhões de eleitores, a Indonésia é a terceira maior democracia do mundo. 

O rival de Widodo na eleição, o ex-general Subianto, recusa-se a aceitar a derrota e convocou protestos.

Os atos começaram os protestos de forma pacífica, mas houve momentos violentos depois que a polícia dispersou manifestantes com bombas de gás, na noite de terça-feira (21). 

Os protestos continuaram na quarta-feira (22), quando uma multidão se reuniu no centro de Jacarta. Alguns levavam bastões de madeira e espalharam pasta de dente em volta dos olhos, para se proteger dos efeitos do gás lacrimogêneo. 

​O governo afirmou que bloqueará temporariamente o acesso a algumas funções das redes sociais para conter o compartilhamento de boatos e de notícias falsas.

Em Jacarta, muitos escritórios, comércios e embaixadas na área central estão fechados, assim como as estações de trem.

O presidente Widodo disse que a situação está sob controle e avisou que poderá tomar medidas duras contra quem instigar tumultos.

"Eu não vou tolerar ninguém que ameace a segurança, a unidade do país ou aqueles que rompem o processo democrático", disse ele, no palácio presidencial.

A polícia prendeu mais de cem pessoas pela acusação de provocar tumultos.

"Peço a todos os lados, às pessoas que estão se expressando, à polícia e aos militares para evitar os abusos físicos", disse Prabowo.

O candidato disse que entrará na Justiça contra o resultado. Ele fez o mesmo nas eleições de 2014, quando também perdeu para Widodo, mas não teve sucesso. 

Uma agência responsável por supervisionar a votação afirmou na segunda (20) que as suspeitas de fraude eram infundadas —não haveria provas nesse sentido, e observadores independentes garantiram a lisura da eleição, segundo o órgão. 

A polícia disse suspeitar de que os protestos sejam uma armação, pois, segundo os agentes, a maioria dos manifestantes veio de fora de Jacarta e alguns deles possuíam envelopes com dinheiro.

O presidente reeleito, ex-marceneiro e fã de heavy metal, é conhecido como Jokowi. Ele era visto como “homem do povo” quando se elegeu, em 2014, devido ao discurso anticorrupção e pró-investimento estrangeiro

No entanto, recebeu críticas durante a campanha por não ter promovido as mudanças que prometeu.

A Indonésia é a terceira maior democracia do mundo. Em um único dia, 193 milhões de pessoas foram chamadas para eleger o presidente e os membros do Legislativo, entre 245 mil candidatos. ​Cerca de 81% dos eleitores compareceram.

Como comparação, as eleições de 2018 no Brasil tiveram 147 milhões de eleitores aptos a votar. No primeiro turno, houve comparecimento de 79%. 

 
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