Deputados paraguaios arquivam pedido de impeachment de presidente

Pacto na Câmara obteve 43 votos contra processo que ameaçava Mario Abdo Benítez e seu vice

Daniela Arcanjo
São Paulo

A Câmara dos Deputados do Paraguai arquivou o processo de julgamento político contra o presidente Mario Abdo Benítez, do Partido Colorado, o vice-presidente, Hugo Velázquez, e o ministro da Fazenda do país, Benigno López.

A informação foi publicada na conta oficial da Câmara dos Deputados do Paraguai no Twitter.

A sessão teve início nesta terça-feira (20), pouco depois das 9h (10h de Brasília). O pacto contrário ao pedido de impeachment conseguiu reunir 43 votos, contra 36 em favor do julgamento.

A votação é considerada uma reviravolta devido à crise política que se instalou nas últimas semanas no país após a revelação dos termos de um acordo entre Brasil e Paraguai sobre a comercialização da energia gerada por Itaipu.

Pedido de julgamento político de Mario Abdo foi arquivado pela Câmara dos Deputados nesta terça (20) - Jorge Adorno/Reuters

A usina binacional fica na fronteira entre os dois países, que compartilham a sua gestão.

Pela revisão acertada em maio deste ano entre Assunção e Brasília, o Paraguai aumentaria seus gastos em mais de US$ 200 milhões, porque o novo trato obrigava o país vizinho a comprar um volume maior da energia produzida pela usina, o que geraria aumento na conta de luz para os consumidores paraguaios.

No final de julho, o documento, assinado de maneira silenciosa, veio a público, o que detonou uma série de renúncias no governo paraguaio e uma ameaça de impeachment do presidente Abdo Benítez.

Em sua conta no Twitter nesta terça, Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico do Paraguai (PLRA), classificou o acordo que rejeitou o julgamento político de "pacto da impunidade" e chamou de "traidores da pátria" aqueles que votaram contra o julgamento.

"Antes venderam 50 anos de nossa soberania em Itaipu, e Horácio Cartes, Mario Abdo e seus 44 [sic] traidores têm que saber que não vamos permitir que entreguem outros 50 anos", escreveu.

Ao lado de outras siglas de oposição e até mesmo de quadros do próprio partido do presidente, o PLRA foi o principal impulsionador do pedido de impeachment de Abdo na época da revelação da ata de Itaipu. 

Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a deputada Derlis Maidana, aliada do presidente, disse que estava  dando "um voto de confiança" ao governo e que a culpa deveria recair sobre Hugo Saquier e Luis Castiglioni.

Eles eram embaixador do Paraguai no Brasil e chanceler, respectivamente, e renunciaram aos cargos após a revelação do documento.

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