Professores se juntam às manifestações em Hong Kong

Polícia estima que 8.300 docentes compareceram aos protestos de sábado

Hong Kong | Reuters

Apesar da forte tempestade em Hong Kong, milhares de pessoas participaram de manifestações contra o governo chinês, neste sábado (17), incluindo professores. Por onde o protesto passou, o comércio foi fechado, devido ao crescente receio de que a polícia adote táticas mais agressivas contra os manifestantes. 

Após o aumento da violência policial nos últimos dias, a adesão aos protestos nesse fim de semana é um teste crucial da força do movimento antigoverno, que até agora parece desfrutar de amplo apoio.

O desfecho pacífico da manifestação reforça a impressão de que o movimento ainda é aprovado por uma maioria, embora os episódios de violência tendam a ocorrer depois da dispersão, à noite. 

 
Quando se iniciaram, os protestos se opunham ao recém-suspenso projeto de lei de extradição. Agora, já abarcam outras reivindicações, como a manutenção do princípio de "um país, dois sistemas", que garante alguma autonomia para Hong Kong desde 1997, quando o território deixou de ser colônia britânica e voltou ao domínio chinês

O professor de matemática CS Chan, que integrou o bloco de professores, reclama que o governo está há meses ignorando as demandas da população. Segundo a polícia, a ala de professores no protesto contou com a adesão de mais de 8.300 pessoas. 

A professora de música, Yu, 40, que trabalha em uma escola secundária local, afirmou estar determinada em seu apoio às manifestações estudantis, mesmo que não concorde com algumas de suas ações.

"Eu admiro neles a coragem e preocupação com Hong Kong. Eles são, com certeza, mais corajosos que o governo", disse. 

O teor dos confrontos se intensificou nesta semana. Milhares de voos foram cancelados devido aos atos no aeroporto internacional, onde manifestantes agrediram pessoas suspeitas de serem agentes pró-China.

Desde então, a polícia está demonstrando maior determinação para dispersar os protestos e esvaziar as ruas. 

Após a concentração pacífica no centro do distrito comercial, os professores marcharam até a residência oficial da chefe-executiva de Hong Kong,  Carrie Lam, entoando a palavra de ordem "a polícia de Hong Kong conhece a lei, quebra a lei". 

"Se Carrie se desse ao trabalho de responder às nossas reivindicações, ninguém se machucaria", afirmou Lee, professor primário aposentado. 

Blocos de manifestantes anti-governo também passaram por Kowloon —antiga cidadela militar, que hoje é um distrito comercial— enquanto protestos a favor da polícia foram avistados do outro lado da baía, com bandeiras da China sendo exibidas. 

Organizadores das demonstrações pró-polícia afirmaram que 300 mil pessoas compareceram ao ato, enquanto a polícia divulgou que foram 108 mil manifestantes. A agência de notícias Reuters não pôde checar esses números de forma independente. 

As lojas de Kowloon fecharam as portas, antecipando a possibilidade de violência. Mas alguns moradores, e apoiadores dos protestos distribuíram lanches e chá de ervas aos manifestantes, montando mesas na calçada. 

"Claro que nos preocupamos com a segurança, já que a repressão só tem piorado. Mas não há muito o que a gente possa fazer, só trazer um capacete melhor", brincou o médico voluntário, Shadow Sze, 27.

"Apenas oferecemos ajuda àqueles que estão na linha de frente e se sentem indefesos contra spray de pimenta e gás lacrimogêneo." 

No fim da tarde, os ânimos se acirraram e manifestantes começaram a atirar ovos na fachada de um escritório de uma empresa pró-Pequim e, depois, cercaram a delegacia policial Mong Kok. 

A crescente violência nas manifestações fazem Hong Kong atravessar sua pior crise em décadas. A capital financeira da Ásia apresenta um dos maiores desafios do atual dirigente chinês, Xi Jinping, desde que assumiu o poder em 2012. 

O projeto de lei que deu início às manifestações permitia a extradição de honcogueses à China continental. A população se opõe ao projeto por considerar que os julgamentos naquele território não são justos.

Embora essa proposta tenha sido suspensa por Lam, os manifestantes passaram a reivindicar reformas democráticas, negando qualquer supressão de liberdade que aproxime Hong Kong do restante do país, onde não há, por exemplo, liberdade de imprensa. 

Diversos governos ocidentais, incluindo os Estados Unidos, reforçaram o pedido de calma ao governo chinês, desde que a polícia paramilitar chinesa começou a fazer treinamentos próximos a fronteira de Hong Kong. 

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