Descrição de chapéu Coreia do Norte

Eritreia e Coreia do Norte lideram ranking de censura à imprensa

China ocupa quinto lugar entre dez; repressão digital piorou de 2015 para cá

João Perassolo
São Paulo

Como era de se esperar, ditaduras lideram o ranking de países onde a imprensa sofre maior grau de censura por parte do governo, aponta levantamento do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado nesta terça-feira (10).

Pela segunda edição seguida, Eritreia (1º) e Coreia do Norte (2º) figuram no topo do relatório. Turcomenistão vem em 3º.

Isaias Afwerki, ditador da Eritreia, inspeciona a guarda de honr
Isaias Afwerki, ditador da Eritreia, inspeciona tropas da Uganda durante uma visita a Entebbe, em 2011 - James Akena - 16.ago.2011

Nesses países, “a mídia serve como porta-voz do Estado, e qualquer jornalismo independente é conduzido a partir do exílio”, afirma o estudo da CPJ, organização sem fins lucrativos que promove a liberdade de imprensa.

Para silenciar a mídia, governos repressores usam métodos tradicionais, como intimidação e detenção arbitrária de jornalistas e seus familiares, além de censura digital, a exemplo de monitoramento online.

Na Eritreia, a mão pesada do ditador Isaias Afewerki, no poder há quase três décadas, baniu todos os veículos noticiosos independentes em 2001, mesmo ano no qual prendeu diversos jornalistas. A maioria não teve direito a julgamento.

O quadro se completa com a dificuldade extrema de acesso à internet: controlada pelo regime, o sinal tem qualidade ruim, e menos de 1% da população de 5,6 milhões de pessoas tem acesso à rede.

De maneira geral, não houve melhoras de 2015 —ano do relatório anterior— para cá, segundo a diretora de advocacia do CPJ, Courtney Radsch. 

Ela cita como exemplo a China, que ocupava o oitavo lugar há quatro anos e agora está em quinto.

O país mais populoso do mundo —1,3 bilhão de habitantes— tem “o mais extenso e sofisticado aparato de censura” da Terra, aponta o estudo.

Isto se dá, segundo o relatório, devido a ações do dirigente Xi Jinping, como a supervisão de veículos noticiosos privados e estatais pelo Partido Comunista. Desde 2017, sites e redes sociais só podem prover informação com a permissão de um comitê regulador.

Já os usuários acesso a conteúdos de fora do país restritos pelo bloqueio de redes sociais e de mecanismos de busca. É possível driblar as limitações com o uso de redes privadas (os VPNs), mas  vão às casas dos habitantes para exigir que apaguem os posts.

​O único país das Américas no relatório é Cuba: assim como no estudo de 2015, a ilha aparece na décima colocação.

O território viu nos últimos anos o avanço da internet móvel e do acesso a wi-fi, mas por outro lado jornais e sites são forçados pelo Estado e pela Constituição local a reportarem “de acordo com os objetivos da sociedade socialista”. 

O relatório do CPJ, feito com base em pesquisas e no conhecimento dos funcionários da organização, leva em conta apenas países em que o governo exerce censura direta ou indireta sobre o trabalho de jornalistas. A Síria, por exemplo, não entra por ser uma nação em guerra, o que seria uma dificuldade natural para repórteres.

A organização não divulga a posição de outras nações fora da lista dos dez primeiros.


Países onde a imprensa sofre mais censura

  1. Eritreia
  2. Coreia do Norte
  3. Turcomenistão
  4. Arábia Saudita
  5. China 
  6. Vietnã
  7. Irã
  8. Guiné Equatorial
  9. Belarus
  10. Cuba

Fonte: CPJ

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.